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Inflação nos EUA em Alerta: CPI de Março Pode Disparar 0,67% com Choque do Petróleo, Fed em Banho Maria

Inflação nos EUA dá sinais de aceleração com alta do petróleo, CPI de março sob pressão

A inflação nos Estados Unidos, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI), apresentou um quadro de estabilidade em fevereiro, vindo em linha com as expectativas do mercado. O índice registrou uma alta de 0,3% no mês, acumulando 2,4% nos últimos 12 meses. Embora dentro do esperado, o número permanece acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve (Fed).

O setor de habitação continuou a ser um dos principais impulsionadores da inflação, com uma elevação de 0,2% em fevereiro, seguindo a tendência do mês anterior. O núcleo da inflação, que exclui os voláteis preços de alimentos e energia, também mostrou uma leve desaceleração, caindo de 2,51% para 2,47% em 12 meses. No entanto, essa calmaria pode ser passageira.

Especialistas apontam que a recente escalada nos preços do petróleo, intensificada pela guerra no Oriente Médio, ainda não se refletiu completamente nos dados de inflação. Essa dinâmica levanta preocupações sobre uma possível reviravolta nos índices de preços já nos próximos relatórios, impactando as projeções econômicas e as futuras decisões de política monetária do Fed. Conforme análise de Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, e William Castro, estrategista-chefe da Avenue, a moderação atual pode ter vida curta.

Choque do Petróleo e Gasolina Elevam Projeções para Março

A análise do UBS sugere que o impacto do aumento nos preços de energia começará a ser sentido nos dados de março. Os preços da gasolina nos EUA dispararam desde o final de fevereiro, acompanhando a alta do petróleo Brent, que saltou de cerca de US$ 71 para aproximadamente US$ 90 o barril. Uma regra geral indica que cada aumento de US$ 10 no preço do barril de petróleo tende a elevar o CPI em cerca de 0,4%, com a gasolina respondendo por uma parcela significativa desse avanço.

Diante desse cenário, o UBS projeta que a inflação de março possa atingir 0,67% na comparação mensal, com ajuste sazonal. Se essa projeção se concretizar, a inflação anualizada poderia saltar de 2,4% para cerca de 3,3% em maio, antes de uma eventual desaceleração no restante do ano. O aumento do custo da energia também pode afetar o poder de compra das famílias, impactando o consumo, que é um motor crucial do PIB americano.

Fed em Observação: Juros Permanecem Estáveis, Mas Cenário é Incerto

O aumento da inflação traz incertezas para as futuras decisões de política monetária do Federal Reserve. Embora o UBS ainda preveja dois cortes de juros de 0,25 ponto percentual no segundo semestre, o banco reconhece que esse cenário pode mudar caso a inflação retorne a ganhar força devido ao choque do petróleo. A ferramenta CME FedWatch indica uma alta probabilidade de que os juros sejam mantidos no patamar atual de 3,50%-3,75% na reunião de março, com 99,4% das apostas.

As próximas reuniões do Fed também devem manter a taxa de juros inalterada como o cenário mais provável, mas a persistência ou aceleração da inflação pode forçar uma reavaliação dessa postura. A vigilância sobre os índices de preços e seus vetores se torna ainda mais crucial para os formuladores de política econômica nos Estados Unidos.

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