IPCA de janeiro confirma trajetória de acomodação da inflação no curto prazo, avaliam economistas
A inflação em janeiro de 2026 seguiu o roteiro esperado, mas apresentou sinais que mantêm o Banco Central em compasso de cautela. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma alta de 0,33%, repetindo a variação de dezembro e ficando alinhado às projeções do mercado, conforme dados divulgados pelo IBGE.
No acumulado de 12 meses, o índice acelerou de 4,26% para 4,44%. Essa elevação foi influenciada, em parte, pelo efeito-base, já que janeiro do ano anterior sofreu impacto positivo do bônus de Itaipu nas tarifas de energia.
A pressão inflacionária em janeiro veio principalmente dos grupos de Transportes e dos preços administrados. A gasolina, por exemplo, avançou devido ao aumento de impostos, enquanto tarifas de ônibus e metrô foram reajustadas em diversas capitais. O etanol também contribuiu para a alta, refletindo a entressafra. Além disso, planos de saúde tiveram impacto relevante.
Pressões pontuais e vetores de alívio na inflação
Segundo a XP Investimentos, os preços monitorados subiram 0,53%, em linha com as projeções. A Mirae destacou que os reajustes no transporte público e nos planos de saúde foram determinantes, mas podem ser considerados sazonais. Houve, no entanto, vetores de alívio importantes.
A energia elétrica apresentou queda com a adoção da bandeira verde. Passagens aéreas e transporte por aplicativo recuaram após altas expressivas no final de 2025, contribuindo para a desaceleração geral.
Serviços e bens industriais: um cenário misto
Na composição do IPCA, os serviços desaceleraram na margem. A XP apontou arrefecimento nas principais métricas, enquanto o Daycoval observou que a parte ligada ao mercado de trabalho segue pressionada. A Mirae notou que o núcleo de serviços subjacentes permaneceu praticamente estável.
A alimentação no domicílio apresentou alta moderada, abaixo do padrão sazonal. Em contrapartida, os bens industriais aceleraram, com destaque para automóveis e itens de higiene pessoal, um movimento que chamou a atenção de analistas da XP e da Mirae.
Índice de difusão e o futuro da Selic
Outro ponto relevante destacado pelas casas de análise foi o avanço do índice de difusão, que passou de 61% para 64%. Isso indica um **espalhamento maior das pressões inflacionárias** entre os produtos e serviços da economia.
Para o mercado, o IPCA de janeiro confirmou a trajetória de **acomodação da inflação no curto prazo**. O número não trouxe surpresas relevantes, mas a composição detalhada indica que o processo de convergência da inflação para as metas ainda exige atenção. No entanto, o dado segue compatível com o início do ciclo de cortes da Selic em março, conforme avaliam os economistas.

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