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IPOs no Brasil: BR Partners vê ‘esforço para acreditar’ em janela de mercado, enquanto juros altos e incertezas políticas pesam

BR Partners (BRBI11) alerta: janela de IPOs no Brasil ainda incipiente, com juros altos e cenário político definindo o ritmo

O ano de 2023 marcou o retorno tímido de Ofertas Públicas Iniciais (IPOs) no mercado brasileiro. Após quatro anos de inatividade, o PicPay abriu capital na Nasdaq, seguido pelo AgiBank, que levantou US$ 276 milhões. No Brasil, empresas como Aegea e BRK Ambiental avançam em seus planos, e a B3 (B3SA3) sinaliza um possível movimento de retomada.

No entanto, a perspectiva do mercado é dividida. Vinicius Carmona, diretor de RI e Assuntos Institucionais da BR Partners, expressa uma visão mais cautelosa. Para ele, ainda é cedo para afirmar que uma janela consistente de IPOs se abriu, destacando que o atual cenário exige um “esforço das pessoas querendo acreditar que existe uma janela”.

Carmona lembra que os dois IPOs brasileiros até agora ocorreram no exterior, com um precificado adequadamente e outro com desconto. Essa realidade contrasta fortemente com o cenário de 2021, quando mais de 40 empresas brasileiras realizaram IPOs, indicando uma janela clara e robusta. A informação foi divulgada em entrevista ao Money Times.

Cautela com IPOs: A realidade dos juros e a preferência por renda fixa

Ainda que a expectativa de queda da taxa Selic esteja no radar, Carmona aponta que os juros devem encerrar o ano em patamares elevados, próximos a 13%. Essa condição, segundo ele, mantém um forte fluxo de recursos para a renda fixa, tornando a competição com investimentos de maior risco, como os IPOs, extremamente desafiadora.

“Com a Selic a 15% e spreads que levam a retornos próximos de 16% ao ano praticamente livres de risco, é difícil competir com a renda fixa”, afirma Carmona. Ele exemplifica a situação sob a ótica do investidor pessoa física: “Por que eu vou tomar risco em IPO? Começa aí. Eu mesmo, como pessoa física aqui, vou tomar risco em IPO, sendo que eu posso ficar ali em um CDB me dando 15% ao ano? Não vou nem a pau”.

Cenário político e M&A como potenciais impulsionadores

Para que uma onda de IPOs se concretize, Carmona sugere que uma reviravolta dependeria significativamente do cenário político. Um candidato com uma agenda clara de compromisso fiscal poderia reduzir os prêmios de risco em títulos de longo prazo, abrindo espaço para novas ofertas no segundo semestre. Ele se mostra surpreso com a possibilidade de uma onda de IPOs já em março.

O diretor também destaca que o setor de Fusões e Aquisições (M&A) pode se beneficiar antes do mercado de IPOs. Ele ressalta que o aumento da liquidez e do giro de mercado, gerado por um mercado de capitais mais ativo, é positivo para M&A. Contudo, a cautela prevalece em relação à retomada consistente de IPOs.

Resultados do BR Partners e planos de expansão

O BR Partners apresentou um lucro líquido de R$ 44,5 milhões no quarto trimestre de 2025, um aumento de 5,7% em relação ao ano anterior. No acumulado do ano, o lucro foi de R$ 175,1 milhões, uma queda de 9,6%. O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) fechou dezembro em 22,4%, superando os 20,4% registrados um ano antes.

Carmona atribui a resiliência do banco à diversificação, que auxiliou na navegação pelo período de menor atividade em M&A. As receitas de banco de investimento e mercado de capitais totalizaram R$ 304 milhões em 2025, uma retração de 13,8%. O banco manteve sua equipe sem demissões e realizou contratações para reforçar o time.

Expansão em Wealth Management

O BR Partners também mira crescimento em wealth management, administrando atualmente cerca de R$ 6 bilhões. O objetivo é se tornar um player relevante neste segmento nos próximos três anos, seja por meio da contratação de profissionais ou por aquisições estratégicas. Carmona enfatiza que essa expansão será realizada por meio do aumento da equipe ou pela aquisição de outras empresas.

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