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Isenção de IR Turbina Renda da Classe Média e Fortalece Posição de Lula às Vésperas da Eleição

A isenção do Imposto de Renda para a classe média, uma das principais promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, está gerando um impacto positivo na economia e fortalecendo sua imagem política. A medida, que reduziu pela metade o número de contribuintes, visa ampliar o apelo do líder de esquerda para além de sua base tradicional de eleitores de baixa renda.

O alívio tributário, que já está sendo sentido no bolso dos trabalhadores desde janeiro, injeta um fôlego adicional em uma economia que, apesar de não apresentar forte expansão, tem surpreendido positivamente. O desemprego em mínimas históricas, o rendimento médio recorde e a desaceleração da inflação criam um ambiente propício para a queda dos juros, conforme sinalizado pelo Banco Central.

Esse cenário econômico mais favorável, aliado à isenção do Imposto de Renda, tem contribuído para a consolidação da vantagem de Lula nas pesquisas eleitorais. O presidente aparece à frente de seus adversários, com margens que variam de quatro a sete pontos percentuais em simulações de segundo turno para a eleição de outubro.

A expansão da isenção do IR para salários mensais de até R$ 5 mil, em vigor desde janeiro, é um dos pilares dessa estratégia. A medida, que também estendeu descontos parciais para rendas de até R$ 7.350, beneficia milhões de brasileiros, permitindo que direcionem recursos extras para o consumo, o lazer ou o planejamento de viagens, como relata a publicitária Vitória Santos, de 30 anos, que aguardava cerca de R$ 300 adicionais em seu contracheque.

Impacto na Renda e no Consumo

A expectativa do governo é que a medida injete cerca de R$ 28 bilhões na economia brasileira neste ano. A renda extra, canalizada para trabalhadores com maior propensão a gastar, impulsiona o consumo. Emerson Marinho, 51 anos, carteiro, viu sua dedução cair R$ 110, um valor que ele destina à compra de alimentos para seus dois filhos, ressaltando a diferença que faz no orçamento familiar.

Para compensar a perda de arrecadação, o governo implementou um imposto mínimo sobre rendimentos mensais acima de R$ 50 mil e uma retenção de 10% na fonte sobre dividendos corporativos enviados ao exterior. A consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados estima que a mudança tributária reduza a desigualdade de renda no Brasil em 1,1%.

Críticas e Perspectivas Econômicas

Contudo, alguns economistas expressam ceticismo sobre os benefícios de longo prazo da política. Fábio Kanczuk, ex-diretor do Banco Central, avalia que, embora a medida gere votos, ela representa uma “política ruim economicamente”, questionando sua eficácia na redução da desigualdade em comparação com políticas que poderiam impulsionar o crescimento e a produtividade.

Kanczuk projeta um impulso de 0,2 ponto percentual no crescimento econômico e um efeito semelhante sobre a inflação neste ano, com o estímulo rapidamente se convertendo em consumo e expansão de crédito. A base tributária brasileira, que já é encolhida, expõe a dependência de um modelo que tributa mais o consumo do que a renda.

Mudança de Foco Político

A ampliação da isenção do IR reflete uma prioridade do governo Lula em alcançar também as famílias de classe média, que historicamente se deslocaram para a direita em busca de agendas como lei e ordem e redução de encargos. O governo tem calibrado políticas, como a expansão de financiamentos habitacionais, para abranger essa parcela da população.

O senador Flávio Bolsonaro, por outro lado, tem sinalizado uma agenda econômica voltada para cortes de impostos e um papel menor do Estado. Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset Management, alerta que gastos públicos focados em consumo podem ser insustentáveis, mas reconhece que uma mudança abrupta de rumo é improvável às vésperas da eleição.

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