J.P. Morgan inicia cobertura de C&A e Riachuelo com otimismo, prevendo alta de até 75% e elegendo a C&A como favorita no setor de varejo de moda brasileiro.
O J.P. Morgan surpreendeu o mercado ao iniciar a cobertura das ações de duas gigantes do varejo de moda brasileiro, C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3). Ambas receberam recomendação overweight, o equivalente a compra, indicando um cenário favorável para as empresas em comparação com a líder do setor, Lojas Renner (LREN3).
Segundo o banco, C&A e Riachuelo estão atravessando um ciclo de transformação operacional que pode destravar um significativo potencial de valorização nos próximos anos. Essa mudança estratégica posiciona as empresas de forma atrativa para investidores que buscam oportunidades de crescimento no varejo.
A análise do J.P. Morgan, divulgada em relatório, destaca que a C&A é a principal aposta do banco no segmento. Com ações negociadas a cerca de 7,5 vezes o lucro estimado para 2026, a varejista apresenta um potencial de valorização de aproximadamente 75%, considerado um patamar atrativo. A Riachuelo, por sua vez, também foi iniciada com overweight, apesar de menor liquidez, com um potencial de alta estimado em cerca de 60%.
Renner: Referência com Potencial de Valorização Limitado
Apesar de manter a Lojas Renner como referência no mercado de fast fashion no Brasil, o J.P. Morgan avalia que o espaço para valorização de suas ações está mais restrito no momento. O banco manteve uma recomendação neutra para o papel, com um potencial de alta estimado em 25%. A ação da Renner negocia a cerca de 9,5 vezes o lucro projetado para 2026.
Os analistas do J.P. Morgan reconhecem a solidez da Renner, que se destaca pela governança, escala nacional, produtividade elevada e liderança no digital. Essas qualidades sustentam margens e rentabilidade superiores às dos concorrentes. No entanto, o banco acredita que essas vantagens já estão, em grande parte, refletidas no preço atual das ações.
C&A e Riachuelo: Novo Ciclo de Crescimento e Transformação
O relatório do J.P. Morgan enfatiza que tanto a C&A quanto a Riachuelo estão em um novo ciclo de crescimento, após anos de subinvestimento. No caso da C&A, a maior autonomia da gestão e a reorganização acionária impulsionaram investimentos em modernização de lojas, estratégia e expansão física, focando em shopping centers dominantes.
A Riachuelo, tradicionalmente com controle familiar, passou por um processo de profissionalização da gestão e simplificação operacional. A empresa tem demonstrado avanços na eficiência, melhora do capital de giro e redução da alavancagem financeira, fatores que contribuem para sua recuperação e potencial de crescimento.
Diferença de Produtividade e Oportunidade de Reprecificação
Um dos principais argumentos do J.P. Morgan reside na diferença de produtividade entre as companhias. Atualmente, a produtividade de vendas por metro quadrado da C&A é cerca de 22% inferior à da Renner, enquanto a da Riachuelo é aproximadamente 50% menor. O banco acredita que ganhos modestos nesses indicadores, aliados à expansão da área de vendas, já seriam suficientes para gerar uma reprecificação relevante das ações da C&A e da Riachuelo.
Diante desse cenário, o J.P. Morgan conclui que, embora a Renner permaneça como a empresa mais sólida e bem posicionada do setor, as melhores oportunidades de investimento no momento se encontram em C&A e Riachuelo. Essas varejistas oferecem uma maior assimetria positiva entre risco e retorno, impulsionadas por seus processos de transformação e potencial de recuperação.

O Pra Quem Investe é um portal dedicado a transformar informação financeira em conhecimento acessível. Aqui, você encontra notícias, análises, insights e conteúdos educativos criados para ajudar investidores — iniciantes ou experientes — a entender o mercado, tomar decisões mais seguras e construir um futuro financeiro sólido. Nosso objetivo é simplificar o mundo dos investimentos e mostrar, na prática, como uma boa gestão financeira pode mudar vidas.













