CNI aponta juros como responsáveis por desaceleração da indústria em 2025, com Selic a 15% ao ano.
O alto patamar da taxa Selic, que encerrou 2025 em 15% ao ano, é apontado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) como o principal fator por trás da **estagnação da indústria brasileira**. A entidade analisou os dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo IBGE, e destacou o impacto negativo do crédito caro e da demanda interna insuficiente.
Segundo a CNI, o ciclo de juros elevados não apenas encareceu o acesso ao crédito para as empresas, mas também **reduziu significativamente o poder de compra dos consumidores**. Esse cenário foi agravado pela concorrência acirrada das importações, que ganharam espaço no mercado nacional.
O diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, classificou o prejuízo causado pelos juros como **”enorme”**. Ele ressaltou que, em 2024, com uma Selic mais baixa, a demanda doméstica por bens da indústria de transformação cresceu quatro vezes mais do que o observado até novembro de 2025, evidenciando a relação direta entre juros e atividade industrial.
Produção e Confiança em Queda
O enfraquecimento da indústria de transformação, que converte matérias-primas em bens de consumo, resultou em **estoques acima do planejado e uma queda de 0,2% na produção**. Este dado, divulgado pelo IBGE, confirma as preocupações da CNI quanto ao ritmo mais lento do setor.
A análise da CNI também lança luz sobre a **pressão externa exercida pelas importações**. As compras de bens de consumo no exterior registraram um salto de 15,6% no ano passado. Enquanto a indústria nacional desacelerava, produtos importados preenchiam as lacunas, dificultando a recuperação dos empresários locais ao longo de 2025.
Confiança do Empresário Atinge Mínima Histórica
O efeito combinado da alta dos juros e do aumento das importações impactou severamente o **Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei)**. Divulgado no final de janeiro, o indicador apresentou o pior desempenho para o mês em dez anos. Com o índice operando abaixo dos 50 pontos – que separa otimismo de pessimismo – por 13 meses consecutivos, a CNI diagnostica uma **falta de confiança persistente**, paralisando investimentos cruciais para a modernização e expansão das fábricas brasileiras.
Crescimento em Risco para 2026
A CNI alerta que, sem uma mudança na política de juros e sem estímulos à demanda interna, o **crescimento econômico de 2026 está em risco**. A entidade teme que a inércia produtiva e a baixa intenção de contratação se prolonguem, prejudicando não apenas a indústria, mas toda a economia nacional no curto prazo.
A pesquisa oficial do IBGE confirmou a perda de fôlego do setor, com a produção industrial fechando 2025 com um crescimento modesto de apenas 0,6%, significativamente abaixo dos 3,1% registrados em 2024. A desaceleração se intensificou no segundo semestre, coincidindo com o aperto monetário.

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