Juros Futuros Fecham em Queda Após Virada no Exterior e Alívio no Petróleo
A curva de juros futuros brasileira apresentou uma reviravolta surpreendente na sessão de ontem, invertendo sua trajetória e fechando em queda em todos os vencimentos. Esse movimento acompanhou a forte queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e um recuo nos preços do petróleo, que haviam pressionado os juros durante boa parte do dia.
A taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, um indicador de curto prazo, encerrou o pregão a 14,095%, uma queda em relação aos 14,200% do ajuste anterior. No pico do dia, essa taxa chegou a atingir 14,340%, representando uma alta de 14 pontos-base, evidenciando a volatilidade do mercado.
Em médio prazo, a taxa de DI para janeiro de 2030 fechou em 13,775%, abaixo dos 13,845% do dia anterior. Já os contratos de longo prazo, como o DI para janeiro de 2036, terminaram em 13,910%, após terem operado em alta e chegado a 14,200% em seu pico intradia. Essas oscilações refletem a sensibilidade do mercado a fatores externos e expectativas econômicas. As informações foram divulgadas em reportagem sobre o mercado financeiro.
Alívio Geopolítico e Petróleo Influenciam Juros
A virada no exterior foi um fator determinante para a queda dos juros futuros. No final da tarde, os rendimentos dos Treasuries americanos recuaram, impulsionados por um breve alívio nas tensões geopolíticas e pela queda nos preços do petróleo Brent. O yield do Treasury de dois anos, sensível à política monetária, fechou a 3,795%, enquanto o de dez anos, referência global, terminou em 4,251%.
O principal gatilho para essa melhora no sentimento do mercado foi a declaração do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de que Israel evitará ataques à infraestrutura de energia do Irã, a pedido do presidente dos EUA, Donald Trump. Essa notícia contribuiu para diminuir o temor de um choque inflacionário vindo do setor de energia.
Adicionalmente, os Estados Unidos emitiram uma nova licença geral para estender a isenção de sanções para a venda de petróleo bruto russo. Essa medida, divulgada pelo Departamento do Tesouro americano, também ajudou a trazer um respiro aos preços do petróleo, que chegaram a cair mais de 2% em reação.
Temor Inflacionário Pressionou Juros Durante o Dia
Durante a maior parte do dia, a curva de juros futuros brasileira operou em alta, com os DIs subindo cerca de 30 pontos-base em seus picos. A cautela dos investidores estava ligada às possíveis consequências da escalada recente dos preços do petróleo na política monetária global.
O Banco Central da Inglaterra (BoE) manteve os juros inalterados, mas alertou que o conflito no Oriente Médio pode causar aumento na inflação no curto prazo. Essa possibilidade de um novo choque inflacionário gerou preocupações, com alguns membros do comitê do BoE levantando a hipótese de futuros aumentos nas taxas de juros.
Laís Costa, analista de renda fixa da Empiricus Research, destacou que a decisão do BoE, com seu alerta inflacionário, estressou as curvas de juros globais. O mercado passou a apostar em até três altas de 0,25 ponto-base ao longo deste ano no Reino Unido. O Banco Central Europeu (BCE) também elevou sua projeção de inflação para a zona do euro em 2026 para 2,6%, acima da meta de 2%.
Impactos nos EUA e Brasil
O temor de um novo choque inflacionário, impulsionado pela alta do petróleo, também afetou as expectativas para os juros nos Estados Unidos. O mercado já zerou a possibilidade de cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) ao longo de 2026, refletindo a incerteza sobre a trajetória da inflação.
No Brasil, o cenário de incerteza gerado pela guerra e as expectativas inflacionárias podem levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a manter a taxa Selic em 14,75% em abril. Os investidores continuam ajustando suas posições de acordo com os desdobramentos globais e domésticos.

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