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Líder do PT na Câmara propõe fim da autonomia do Banco Central e fusão com Ministério da Fazenda

Líder do PT na Câmara propõe fim da autonomia do Banco Central e fusão com Ministério da Fazenda

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), apresentou um projeto de lei complementar que visa alterar a autonomia do Banco Central (BC). A proposta, que já gerou debate, busca vincular a autarquia ao Ministério da Fazenda, mudando o status atual onde o BC opera sem vínculo ministerial.

Essa iniciativa reacende a discussão sobre o papel e a independência da autoridade monetária, garantida por lei há cinco anos. Uczai argumenta que a autonomia total do BC é antidemocrática e dificulta a implementação do programa de governo eleito nas urnas, além de questionar sua eficácia.

Segundo o deputado, a autonomia não tem se mostrado eficaz na prática. Ele aponta que, em quatro dos cinco anos após a aprovação da lei de autonomia, a meta de inflação não foi cumprida. Além disso, não houve redução significativa no spread médio do crédito no país, quando comparado ao período anterior à autonomia.

O parlamentar também citou o caso do banco Master, argumentando que o BC falhou em zelar pela estabilidade do sistema financeiro. Essa falha, segundo ele, expôs fragilidades na regulação e supervisão, permitindo o desenvolvimento de modelos de negócios fraudulentos.

Readequação jurídica e calendário de mandatos

Uczai defende que a proposta visa **readequar a natureza jurídica do Banco Central** à doutrina administrativa brasileira. Uma das mudanças propostas é fazer com que o calendário do mandato do presidente do BC coincida com o do presidente da República. Atualmente, o início do mandato do presidente do BC ocorre no terceiro ano do mandato presidencial.

A sugestão é que o mandato do presidente do Banco Central passe a iniciar em março do primeiro ano de mandato do presidente da República. Essa alteração busca **alinhar as lideranças e as prioridades econômicas** do país de forma mais direta.

Revisão dos objetivos do Banco Central

O projeto de lei complementar também propõe o fim da diferenciação entre os objetivos do BC. Atualmente, há um objetivo fundamental – assegurar a estabilidade de preços – e outros objetivos secundários, como zelar pela estabilidade e eficiência do sistema financeiro, suavizar flutuações na atividade econômica e fomentar o pleno emprego.

A proposta é listar todos esses itens de forma equivalente, como meros “objetivos” do BC. A justificativa para essa mudança é que, com um mandato legal focado em um único objetivo primordial, o BC não teria obrigação formal de considerar os impactos de suas decisões em outras variáveis econômicas relevantes.

Críticas à taxa de juros real e transparência

Uczai argumenta que, com a autonomia atual, o BC tem mantido uma das mais elevadas taxas de juros reais do mundo. Ele descreve essa situação como uma “jabuticaba”, algo que só existe no Brasil, e que pode perdurar indefinidamente sob o modelo de autonomia absoluta.

Adicionalmente, o deputado propõe que o Banco Central seja **obrigado a enviar regularmente ao Senado relatórios** sobre atividade econômica e emprego. Atualmente, o BC já remete relatórios de inflação e de estabilidade financeira à Casa Legislativa, mas a proposta visa ampliar essa prestação de contas.

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