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Lula confirma Mello e Cavalcanti no Banco Central, ignorando receio do mercado financeiro

Lula avança com indicações para o Banco Central, sinalizando independência de pressões do mercado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está próximo de confirmar Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti em diretorias-chave do Banco Central, segundo fontes ligadas às negociações. As nomeações, apresentadas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicam um movimento que, apesar de atrair ceticismo de parte do mercado financeiro, parece ter o aval presidencial.

Mello, atualmente na Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, é cotado para a Diretoria de Política Econômica, enquanto Cavalcanti, professor de renome, assumiria a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução. A confirmação oficial ainda não tem data definida, mas as indicações já geram debates sobre o futuro da política monetária.

A resistência do mercado financeiro às indicações de Mello, em particular, já se fez sentir, com reflexos nas taxas de juros de longo prazo. A associação do economista com o PT e sua orientação à esquerda são pontos de preocupação para investidores. As informações foram divulgadas pela Reuters.

Mello e Cavalcanti: os nomes escolhidos para o BC

Guilherme Mello, com histórico acadêmico e participação no plano econômico da campanha de Lula em 2022, é visto como um nome alinhado a Haddad e, embora filiado ao PT, é descrito como um economista independente dentro do partido. Sua possível ascensão à Diretoria de Política Econômica, setor crucial para a formulação de modelos macroeconômicos e subsídios para as decisões do Copom, tem sido alvo de escrutínio.

Tiago Cavalcanti, com passagens pela Fundação Getulio Vargas e pela Universidade de Cambridge, é cotado para uma diretoria com foco em organização do sistema financeiro. A escolha de ambos, segundo as fontes, reflete uma tentativa de alinhar a gestão do Banco Central com as diretrizes econômicas do governo.

Mercado financeiro reage com apreensão às indicações

A inclinação à esquerda de Mello e sua ligação com o PT geraram apreensão no mercado financeiro, que se manifestou com alta nas taxas de juros de longo prazo. Críticos argumentam que a experiência de Mello é mais acadêmica do que prática no mercado, e que a Diretoria de Política Econômica se beneficiaria de profissionais com histórico em instituições financeiras. Uma fonte apontou que a falta de acordo prévio com o próprio Banco Central também contribui para a resistência interna.

No entanto, nem todos compartilham dessa visão. Uma terceira fonte ouvida pela Reuters defende Mello, descrevendo-o como um profissional “correto, competente e sério”, cuja atuação sempre foi ponderada e sem propostas heterodoxas. Essa perspectiva sugere que as reações do mercado podem ser interpretadas como uma forma de pressão.

Lula mantém o curso, indiferente às oscilações do mercado

Apesar das preocupações manifestadas pelo mercado financeiro, a decisão final parece estar firmemente nas mãos do presidente Lula. Fontes indicam que o presidente é conhecido por sua resistência a se guiar por movimentos de curto prazo do mercado, preferindo manter um curso estratégico. A expectativa é que Lula não seja influenciado pelo “mau humor” dos operadores financeiros, consolidando suas escolhas para o Banco Central.

Fernando Haddad, ministro da Fazenda, confirmou em entrevista que apresentou os nomes de Mello e Cavalcanti a Lula há cerca de três meses, e que o presidente não voltou a abordar o tema com ele desde então. Haddad deve deixar o ministério no final de fevereiro, conforme anunciado anteriormente.

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