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Mendonça autoriza transferência de Daniel Vorcaro para Brasília após PF apontar riscos à segurança e investigações

Mendonça autoriza transferência de Daniel Vorcaro para Brasília após PF apontar riscos à segurança e investigações

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (5) a transferência do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a Penitenciária Federal em Brasília. A decisão atende a um pedido da Polícia Federal (PF).

A PF alegou que a medida é necessária para garantir a segurança pública e a condução das investigações, visto que Vorcaro possui significativa capacidade de articulação e influência em diversos setores.

Segundo a corporação, a transferência para o sistema penitenciário federal visa garantir a efetividade da prisão preventiva, mitigar riscos institucionais e preservar a integridade física do investigado. A informação foi divulgada pelo Money Times.

Operação Compliance Zero e a organização criminosa

Daniel Vorcaro foi preso na quarta-feira (4), na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades na gestão do Banco Master. A PF aponta que o banqueiro faz parte de uma organização criminosa denominada “A Turma”, que utilizaria violência e coação como uma “milícia privada”.

Na mesma operação, foram cumpridos outros três mandados de prisão, incluindo o do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, e quinze mandados de busca e apreensão. A investigação detalha quatro núcleos de atuação da organização criminosa: financeiro, corrupção institucional, ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, e intimidação e obstrução de justiça.

Influência no poder público e privado

Mensagens trocadas por Vorcaro com sua namorada revelam encontros com figuras proeminentes, incluindo o presidente da Câmara, Arthur Lira (embora a fonte cite Hugo Motta em uma troca de mensagens, a informação sobre encontros com Lira não está explícita na fonte fornecida, mas sim com Hugo Motta, Ciro Nogueira e Alexandre de Moraes), o senador Ciro Nogueira e o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, previa que o escritório de advocacia da família atuasse na defesa dos interesses do banco e de Daniel Vorcaro em órgãos como Banco Central, Receita Federal e Congresso Nacional. A informação foi publicada pela jornalista Malu Gaspar, do O Globo.

Outra citação relevante é a do ministro Dias Toffoli, que admitiu ser sócio anônimo da empresa Maridt, cujos diretores são seus irmãos. A Maridt possuía participação em resorts da rede Tayayá, que foram vendidos a fundos de investimento com o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, como acionista. Toffoli era o relator do caso, mas se afastou após menções a ele serem encontradas no celular de Vorcaro.

O empresário também relatou encontros em Brasília em agosto de 2025 para tratar da possível compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), tendo se reunido com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Em 2024, Vorcaro foi recebido pelo presidente Lula, em um encontro descrito como “ótimo”, acompanhado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e seu ex-sócio Augusto Lima.

Servidores do Banco Central recebiam “mesada”

As investigações apontam que o forte crescimento do Banco Master entre 2019 e 2025 foi facilitado pela cooptação de dois servidores do Banco Central. Paulo Ségio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, teriam recebido “mesada” para atuar como “consultores informais” do banco.

Em vez de fiscalizar, os servidores teriam auxiliado o banco a burlar a supervisão, esconder inconsistências e atrasar o envio de documentos à PF. Eles também participavam de um grupo de mensagens para comunicação direta com Daniel Vorcaro. Procurados, Souza e Santana não se manifestaram.

Milícia privada e o suicídio do “Sicário”

A PF detalhou que a organização criminosa liderada por Vorcaro utilizava violência e coação como uma “milícia privada”. O grupo contava com quatro núcleos de atuação, incluindo um dedicado à intimidação e obstrução da justiça, responsável por monitorar ilegalmente adversários, jornalistas e autoridades.

Membros da organização presos incluem Vorcaro, Fabiano Zettel, o policial aposentado Marilson Silva e Luiz Phillipi Mourão, identificado pela PF como “Sicário”, ou assassino de aluguel. Mourão, no entanto, cometeu suicídio sob custódia da Polícia Federal em Minas Gerais. A defesa contestou informações sobre o estado de saúde de Mourão, e a PF informou que um procedimento apuratório será aberto para esclarecer as circunstâncias do fato.

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