Ouro tomba quase 4% com incertezas de negociações de paz no Oriente Médio e busca por liquidez
As cotações futuras do ouro recuaram acentuadamente, registrando uma baixa de quase 4% nesta quinta-feira (26). A instabilidade gerada pelas incertezas nas negociações de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã foi o principal fator por trás dessa queda expressiva.
Com o aumento da aversão ao risco nos mercados globais, o dólar americano ganhou força, pressionando ainda mais os preços do metal precioso. A prata também acompanhou a tendência de queda, cedendo 6,48%.
A dinâmica dos mercados financeiros nesta quinta-feira refletiu um cenário de cautela, com investidores buscando segurança em ativos menos voláteis. Conforme informação divulgada pela Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o contrato futuro do ouro para abril encerrou o pregão em baixa de 3,89%, cotado a US$ 4.376,30 por onça-troy.
Tensões geopolíticas e aversão ao risco impactam o ouro
O cenário de aversão ao risco, somado aos temores inflacionários e às expectativas de manutenção de juros elevados, contribuiu significativamente para a perda de força do ouro. As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adicionaram mais incertezas ao quadro.
Trump alertou o Irã para que levasse a sério um acordo para o fim dos combates, após o ministro iraniano das Relações Exteriores indicar que Teerã estava analisando a proposta americana, mas sem conversas concretas para a finalização do conflito. O presidente americano expressou dúvidas sobre a disposição iraniana em negociar um acordo de paz.
O jornal New York Times reportou que Washington apresentou ao Irã um plano de 15 pontos para encerrar a guerra na região. Paralelamente, o Canal 12 de Israel, citando fontes, informou que os EUA buscavam um cessar-fogo de um mês para discutir este novo plano, aumentando a volatilidade no mercado.
Análise de mercado aponta para demanda estrutural mais fraca
Analistas da Capital Economics apontam que uma demanda estrutural mais fraca pelo ouro também contribui para a menor atratividade dos preços. Esse cenário é agravado pela alta nos juros reais e pela redução do apetite por risco.
“Mesmo que o conflito se resolva em breve, as mesmas forças que haviam impulsionado a alta do ouro podem se inverter e provocar novas quedas nos preços ainda neste ano”, avaliam os especialistas, sugerindo que as perspectivas para o metal não são otimistas no curto prazo.
Turquia vende reservas de ouro para estabilizar mercado cambial
Em outro movimento relevante no mercado de ouro, as reservas do Banco Central da Turquia apresentaram uma queda considerável. As reservas de ouro do país diminuíram em quase 50 toneladas, totalizando 772 toneladas na semana passada.
Esta foi a maior queda semanal desde agosto de 2018, segundo informações da Reuters. O BC turco realizou vendas de cerca de US$ 3 bilhões em ouro na semana passada, pela primeira vez, somando-se a US$ 26 bilhões em vendas de moeda estrangeira desde o início do conflito no Irã, com o objetivo de estabilizar o mercado cambial local.

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