Petróleo fecha em baixa com sinais diplomáticos do Irã, tarifas e guerra na Ucrânia moldando o mercado.
Os contratos futuros de petróleo encerraram o pregão desta terça-feira, 24, em trajetória de queda, impulsionados principalmente pelas dinâmicas diplomáticas entre Estados Unidos e Irã. A possibilidade de um acordo entre Teerã e Washington, sinalizada pelo país persa, contribuiu para a redução dos prêmios de risco no mercado.
Adicionalmente, as disputas tarifárias e os desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia continuam no radar dos investidores, influenciando diretamente o mercado de hidrocarbonetos. O conflito na Ucrânia, que completa quatro anos, tem gerado atenção constante quanto aos seus impactos no fornecimento global.
Conforme divulgado pela agência de notícias Isna, o vice-ministro de Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, expressou a disposição do país em buscar um acordo com os EUA o mais rápido possível, afirmando que o Irã fará “tudo o que for necessário para que isso aconteça”. Essa declaração sugere uma flexibilização na postura iraniana, o que pode aliviar tensões geopolíticas.
Queda nos Preços do Petróleo e Drivers de Mercado
O petróleo WTI, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), para entrega em abril, registrou uma queda de 1,02%, perdendo US$ 0,68 e fechando a US$ 65,63 o barril. Já o Brent, com vencimento em maio e transacionado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), apresentou recuo de 0,75%, com o barril cotado a US$ 70,58, uma desvalorização de US$ 0,53.
O analista do Commerzbank aponta que o recente aumento nos preços do petróleo foi, em grande parte, impulsionado por um prêmio de risco crescente, indicando que o valor do barril estava acima do que seria justificado apenas por fatores fundamentais. Os spreads temporais da curva a termo do Brent, que refletem os diferenciais de preço entre os diversos vencimentos dos contratos, também demonstraram um aumento considerável.
Na sexta-feira passada, o prêmio para o petróleo com entrega em um mês em relação ao de sete meses atingiu US$ 3,5, e em comparação com o de 12 meses, ultrapassou os US$ 5. Esses valores de spreads de prazo não eram vistos desde junho de 2025, período marcado por tensões entre Israel e Irã e um ataque dos EUA a instalações nucleares iranianas, evidenciando a sensibilidade do mercado a eventos geopolíticos.
Guerra na Ucrânia e Impactos no Fornecimento Russo
A guerra entre Rússia e Ucrânia continua a impor desafios ao mercado de energia. A Transneft, empresa estatal russa responsável pelos oleodutos, reduziu a entrada de petróleo bruto em seu sistema em aproximadamente 250 mil barris por dia, segundo fontes da Reuters. Essa redução ocorreu após um ataque com drones ucranianos a uma estação de bombeamento em Kaleykino, que causou um incêndio.
O local atingido é crucial para o abastecimento do oleoduto Druzhba, um importante corredor de transporte de petróleo bruto de Moscou para diversos países do Leste Europeu. Os contínuos ataques e incidentes relacionados ao conflito geram incertezas sobre a estabilidade do fornecimento de petróleo russo, impactando o mercado global.
Tarifas e a Dinâmica Comercial Global
As disputas tarifárias também permanecem como um fator de atenção para o mercado de petróleo. O anúncio do presidente Donald Trump sobre a redução das tarifas globais de 15% para 10% pode trazer novas dinâmicas ao comércio internacional, influenciando indiretamente o consumo e a demanda por petróleo em diferentes regiões do mundo.
A combinação desses fatores, incluindo os sinais diplomáticos do Irã, a guerra na Ucrânia e as políticas comerciais, cria um cenário complexo e volátil para os preços do petróleo, exigindo monitoramento constante por parte dos analistas e investidores do setor.

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