BB Investimentos inicia cobertura de PicPay com recomendação de compra e potencial de alta de 32%
O PicPay, um dos maiores bancos digitais do Brasil, está sob os holofotes do mercado financeiro. Quase um mês após sua abertura de capital na Nasdaq, a ação da companhia, negociada sob o código PICS, registrou uma queda de 14%. Mesmo com essa desvalorização inicial, o BB Investimentos deu início à cobertura do ativo com uma recomendação de compra, projetando um potencial de valorização de até 32% até o final do ano.
Fundado em 2012 e adquirido pela holding J&F em 2015, o PicPay ostenta uma base de 66 milhões de usuários cadastrados, posicionando-se como o segundo maior banco digital do país em número de clientes, atrás apenas do Nubank. A instituição financeira tem demonstrado solidez em seus resultados, o que fundamenta a perspectiva otimista do BB Investimentos.
De acordo com o relatório assinado pelo analista Rafael Reis, o PicPay apurou um lucro líquido de R$ 313,8 milhões nos primeiros nove meses de 2025. A receita bruta total nos 9M25 atingiu R$ 7,26 bilhões, com um Retorno sobre o Patrimônio (ROE) de 17,4% nos últimos 12 meses. Esses números comprovam a capacidade da empresa de gerar rentabilidade elevada, mesmo com a cobrança de tarifas menores, graças a um modelo de negócios mais enxuto.
Potencial de Crescimento e Estratégia de Expansão
O preço-alvo estipulado pelo BB Investimentos para a ação do PicPay é de US$ 20,40, o que representa um potencial de valorização de 32% em relação ao último fechamento. A oferta de ações na Nasdaq, que rendeu R$ 500 milhões à companhia, será destinada ao reforço de capital, expansão da carteira de crédito e investimentos em novas oportunidades de crescimento. Além disso, estima-se que R$ 620 milhões sejam utilizados para a aquisição da Kovr, uma insurtech que visa fortalecer o portfólio de seguros da empresa.
O BB Investimentos destaca que o PicPay está bem posicionado para disruptar o mercado financeiro brasileiro, que ainda apresenta alta concentração de lucros entre os maiores bancos. A estrutura de custos significativamente menor do PicPay, em comparação com bancos tradicionais, permite oferecer serviços a preços mais baixos, atraindo milhões de clientes. A crescente adoção digital, o uso do Pix e outras inovações tecnológicas também favorecem o crescimento da fintech.
Novos Produtos e Riscos Associados
Apesar do cenário favorável, a expansão do PicPay também apresenta riscos. A receita média por cliente ainda é considerada baixa em relação a concorrentes mais consolidados, mas a expectativa é que a adição de novos produtos, como seguros e crédito, eleve esse indicador. Mais da metade dos clientes ainda não utiliza serviços de crédito do banco, e há um grande potencial de crescimento na contratação de produtos de maior margem.
A expansão da carteira de crédito, contudo, carrega o risco inerente de inadimplência. Embora 50% da carteira atual conte com garantias, cenários macroeconômicos adversos podem impactar esse histórico. A empresa também atua em subsegmentos de maior risco, como o público jovem sem histórico de crédito e desbancarizado. O custo de crédito, que representa as despesas com provisões para calotes, cresceu substancialmente em 2024, e os indicadores de inadimplência e custo de crédito ainda não estão estabilizados, sendo sujeitos a volatilidade.
Perspectivas Financeiras e Rentabilidade Futura
Após atingir o ponto de equilíbrio em 2023, o lucro do PicPay tem se mantido positivo, mas sem crescimento sequencial. O ROE também se encontra em patamar sólido, mas sem evolução aparente. No entanto, a análise do BB Investimentos projeta que a empresa continuará crescendo acima do setor bancário tradicional, embora em ritmo decrescente com o aumento de sua escala.
A expectativa é que o lucro líquido do PicPay atinja R$ 455 milhões em 2025 e alcance R$ 3,61 bilhões em 2030, com um ROAE projetado de 26,4%. A carteira de crédito deve crescer 103% em 2025, 40% em 2026, e manter uma expansão de 20% até 2030, totalizando quase R$ 80 bilhões. Essas projeções robustas sustentam a recomendação de compra do BB Investimentos para as ações do PicPay (PICS) na Nasdaq.

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