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PicPay (PICS) lucra mais que o dobro e surpreende mercado, mas ação despenca 22% na Nasdaq; entenda o descompasso

PicPay (PICS) apresenta lucro mais que dobrado, mas ações caem 22% na Nasdaq

O PicPay (PICS) divulgou seu primeiro balanço financeiro após a estreia na bolsa de valores de Nova York, apresentando números impressionantes. O lucro líquido ajustado para o quarto trimestre de 2025 atingiu R$ 188,2 milhões, um aumento expressivo de 136% em relação ao ano anterior e 78,6% comparado ao trimestre anterior. A receita líquida total também demonstrou força, somando R$ 3 bilhões no período, o que representa um crescimento de 69% anualmente.

Esses resultados, que superaram as expectativas da própria companhia e do mercado, foram impulsionados pela expansão da carteira de crédito, pelo aumento das transações, com destaque para o Pix financiado, e pelo crescimento na venda de seguros. A base de clientes também continuou a crescer, alcançando 67 milhões de contas ao final de 2025.

No entanto, apesar dos fundamentos sólidos, as ações da fintech sofreram uma queda acentuada de 22,49% na Nasdaq, negociadas a US$ 12,27. Essa desvalorização ocorreu em um dia marcado por aversão ao risco nos mercados globais, influenciado pela escalada das tensões no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo e reacendeu temores inflacionários. Ativos considerados mais arriscados, como os de empresas de tecnologia e fintechs, tendem a ser os primeiros a sentir o impacto em cenários de incerteza.

Lucro robusto e receita em alta: os números do PicPay

O balanço do PicPay revelou um lucro líquido consolidado de R$ 502 milhões em 2025, praticamente o dobro do registrado no ano anterior. A rentabilidade também apresentou melhora, com o ROE ajustado alcançando 24,4%, um avanço de 5,4 pontos percentuais na comparação anual. A receita líquida total superou o guidance, impulsionada principalmente pelo maior volume de crédito concedido e pelo aumento nas transações digitais.

A expansão da base de clientes ativos para 42,7 milhões demonstra o alcance e a penetração do PicPay no mercado financeiro. A estratégia da companhia para 2026 continua focada no crescimento da carteira de crédito, com a expectativa de que o segmento represente cerca de 60% da receita total, com produtos garantidos respondendo por aproximadamente 25%.

Crédito como motor, mas com atenção à inadimplência

A expansão da carteira de crédito é vista como o principal motor de crescimento para o PicPay em 2026, com a empresa projetando que o crédito represente cerca de 60% de sua receita. No entanto, o aumento na concessão de crédito também traz consigo um alerta. O diretor de Relações com Investidores, André Cazotto, admitiu que a inadimplência deve apresentar uma leve alta nos próximos meses, reflexo da maturação da carteira e de mudanças no mix de produtos oferecidos.

O índice de atrasos acima de 90 dias subiu de 6,0% em setembro para 7,2% em dezembro de 2025. Essa mudança está ligada à desaceleração das originções de saque-aniversário do FGTS e à aceleração do crédito consignado privado, que agora concentra boa parte das novas concessões. Analistas veem essa transição como uma movimentação estratégica para focar em linhas com melhor retorno ajustado ao risco, mesmo que isso exija maiores provisões.

Mercado mantém visão positiva, mas alerta para riscos

Apesar da queda expressiva das ações, analistas de mercado mantêm uma visão majoritariamente positiva sobre o PicPay. O Bank of America (BofA) reafirmou a recomendação de compra, destacando a capacidade de execução da companhia e o plano ambicioso de crescimento para 2026. O Citi também mantém a recomendação de compra, sustentando a tese em um modelo de negócios com bom potencial de retorno e um valuation atrativo.

No entanto, os riscos permanecem no radar dos analistas. Pontos de atenção incluem a execução da expansão do crédito com qualidade, possíveis mudanças regulatórias, exigências de capital, o aumento da concorrência no setor fintech e o impacto cambial, uma vez que a empresa reporta resultados em reais, mas suas ações são negociadas em dólar. A capacidade de gerenciar esses riscos será crucial para a valorização futura das ações PICS.

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