CPI do INSS nega vazamento de conversas sigilosas e rebate ministro Alexandre de Moraes do STF em meio a investigações
O presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), rebateu veementemente a nota divulgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido do ministro Alexandre de Moraes. Viana declarou que a comissão parlamentar de inquérito não foi responsável pela divulgação de qualquer material sigiloso envolvendo integrantes da Corte, contrariando as alegações que partiram do STF.
A manifestação do senador ocorreu após a divulgação de um comunicado onde o STF, por solicitação de Moraes, afirmava que conversas encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, haviam sido tornadas públicas pela CPI do INSS. O comunicado de Moraes também negava que prints de mensagens atribuídos ao banqueiro tivessem sido enviados a ele.
No entanto, o senador Carlos Viana enfatizou que a CPMI sempre atuou estritamente dentro dos limites legais e regimentais. Ele ressaltou a importância de se identificar a real origem das informações divulgadas antes de atribuir qualquer responsabilidade ao Parlamento, sugerindo que a investigação deveria focar em outras esferas.
STF apura origem de vazamento e nega diálogo direto com Moraes
O comunicado do STF, divulgado pela Secretaria de Comunicação do órgão, indicava que uma análise técnica havia constatado que o diálogo divulgado foi travado com outra pessoa, e que as mensagens em prints estavam vinculadas a outros contatos telefônicos no computador de Daniel Vorcaro, jamais ao ministro Alexandre de Moraes. Contudo, o ministro não negou ter conversado com Vorcaro no dia 17 de novembro do ano passado, data da primeira prisão do banqueiro.
Pessoas próximas ao caso confirmaram que houve, de fato, uma troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes neste dia. Essa comunicação teria ocorrido por meio de prints em modo de visualização única, onde ambos escreviam em seus blocos de notas, capturavam a tela e enviavam as imagens, que se apagavam após uma única visualização para manter o sigilo.
Conversas revelam detalhes de negociações e investigações
Segundo informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, as trocas de mensagens pelo WhatsApp entre Vorcaro e Moraes se estenderam por todo o dia 17 de novembro de 2025. Os dados extraídos do celular do executivo sugerem que ele prestava contas a Moraes sobre negociações de venda do banco e também sobre um inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília.
A defesa do banqueiro havia apresentado ao STF um pedido para investigar o vazamento de informações contidas em seu celular, incluindo conversas privadas e supostos diálogos com autoridades, como o próprio ministro Alexandre de Moraes. O pedido foi acolhido pelo ministro André Mendonça, relator do caso.
PF instaura inquérito para investigar vazamento de dados sigilosos
Na última sexta-feira, o ministro André Mendonça determinou que a Polícia Federal (PF) abra um inquérito para apurar a origem do vazamento de dados sigilosos de Daniel Vorcaro. Essas informações estavam sob custódia da PF e foram posteriormente compartilhadas com a CPI do INSS, o que gerou a controvérsia.
O Estadão confirmou, através de fontes ligadas ao caso, que Vorcaro efetivamente trocou mensagens com Moraes naquele dia, utilizando o método de fotos de visualização única. Na extração de dados do celular, foram encontradas sete imagens de rascunhos com mensagens sobre negociações do Banco Master com o Banco Central, com horários de criação próximos aos de envio das mensagens ao ministro.
Vorcaro buscava informações e tentava bloquear investigações
Nos textos extraídos, o banqueiro relata ter antecipado negociações para tentar salvar o banco e menciona que um possível vazamento de informações seria prejudicial, mas que poderia servir de gancho para entrar no processo investigativo. Vorcaro chegou a questionar o magistrado duas vezes sobre novidades e perguntou diretamente: “Conseguiu bloquear?”. Uma das mensagens, registrada às 18h32, questiona: “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
A cronologia dos fatos sugere que, enquanto se comunicava com o ministro, o banqueiro monitorava o avanço das investigações. Segundo a PF, Vorcaro teria obtido informações sigilosas através de acesso ilegal a sistemas da própria corporação e tentou peticionar na 10ª Vara Federal de Brasília apenas 18 minutos após a decretação de sua prisão, numa tentativa de barrar medidas cautelares.
Senador Carlos Viana defende prerrogativas do Congresso
Em resposta à decisão de André Mendonça de instaurar a investigação, Carlos Viana também se manifestou. O senador afirmou receber a medida “com serenidade e respeito institucional”. No entanto, ele ressaltou que o Congresso Nacional possui prerrogativas constitucionais próprias para conduzir suas investigações, reafirmando a autonomia do Poder Legislativo.
A última comunicação registrada, às 20h48, mostra Vorcaro respondendo a uma possível dúvida sobre os negócios e afirmando que a movimentação poderia inibir algo não detalhado. Antes de encerrar, avisou que estava indo assinar com investidores estrangeiros, momento em que Moraes teria reagido apenas com um emoji de polegar levantado. O executivo foi preso pela PF por volta das 22h, antes de embarcar para Malta.

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