FGC sob pressão: O quebra-cabeça de R$ 50 bilhões após a queda do Banco Master e outros bancos
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mecanismo essencial para a segurança de depositantes e investidores no Brasil, está no centro das atenções após um evento financeiro de magnitude sem precedentes. A liquidação de instituições como o Banco Master, Will Bank e Banco Pleno resultou em uma saída expressiva de recursos do fundo, levantando debates sobre sua sustentabilidade e a necessidade de ajustes.
Em 25 anos de atuação, o FGC já foi acionado 42 vezes para ressarcir clientes de bancos que fecharam suas portas. Contudo, o montante necessário para cobrir as perdas recentes é surpreendentemente alto, superando em muito os impactos históricos anteriores, como o caso do Banco Bamerindus em 1997.
Jairo Saddi, ex-presidente do FGC e especialista em direito bancário, analisa a situação como “inusitada” e defende que, apesar da gravidade, não se trata de um risco sistêmico. Ele aponta que a cobertura do FGC, que garante até R$ 250 mil por CPF e por instituição, funcionou conforme o esperado, mas a dimensão do problema exige reflexão e ajustes prudentes no sistema. As informações são do Money Times.
O impacto sem precedentes do Banco Master no FGC
A quebra do Banco Master foi o principal fator por trás do expressivo rombo de aproximadamente R$ 50 bilhões nos cofres do FGC. Juntos, o Will Bank (R$ 6,3 bilhões) e o Banco Pleno (R$ 4,9 bilhões) também contribuíram para essa conta elevada. Para se ter uma ideia da escala, o segundo maior impacto histórico, o do Banco Bamerindus em 1997, demandou R$ 3,7 bilhões, valor que corrigido pela inflação hoje seria inferior a R$ 20 bilhões.
Saddi destaca que o tamanho dessa saída de caixa é algo “de fato, novo” e que as crises anteriores não chegaram nem perto de 20% desse valor. Ele explica que o modelo de captação agressiva, com ofertas de CDBs chegando a 140% do CDI, atraiu investidores que confiavam na proteção do FGC. Essa estratégia, embora eficaz em um primeiro momento para o crescimento do banco, não possuía um lastro sólido, o que gerou preocupações no Banco Central.
FGC não é órgão de supervisão, mas reformas são necessárias
O ex-presidente do FGC defende que culpar o FGC pela situação é injusto. Ele ressalta que o fundo atua como um mecanismo de pagamento após a liquidação da instituição, e não como um órgão de supervisão preventiva. Sua atuação está dentro das regras estabelecidas, acionado apenas após a confirmação da falência de um banco.
Apesar de o FGC ter cumprido seu papel de ressarcir os investidores, Saddi acredita que reformas são necessárias para evitar que cenários semelhantes se repitam. Ele enfatiza, no entanto, que qualquer mudança deve ser feita com calma e ponderação, preservando princípios importantes do sistema financeiro, como a operação com alavancagem.
Propostas de ajuste: Cautela e transparência
A discussão sobre a recomposição do FGC pelos bancos do sistema já está em curso. Uma das ideias em pauta é a possibilidade de um modelo de contribuição mais ponderado por risco, onde instituições menores ou mais alavancadas poderiam contribuir mais. Saddi, porém, alerta para a complexidade de se criar um sistema assim, especialmente na avaliação precisa de ativos.
Outra alternativa levantada é a de limitar a cobertura do FGC para aplicações que ofereçam remunerações muito acima do mercado, como um teto atrelado a um percentual do CDI. Acima desse limite, o investidor assumiria parte do risco. A mensagem principal é que qualquer alteração precisa ser feita com calma, sem a pressa imposta pelo calor da crise.
Transparência como chave para prevenir futuras crises
Para Saddi, a informação é o melhor desinfetante para o sistema financeiro. Ele defende uma maior transparência e visibilidade de indicadores técnicos de liquidez e solvência dos bancos. Segundo ele, quem analisou os balanços de instituições como o Banco Master há dois anos já observava sinais de pressão na liquidez, mas essas informações não eram claras para o investidor comum.
O especialista conclui que, no capitalismo, crises são eventos esperados. O fundamental é apurar responsabilidades rapidamente e garantir a preservação do máximo possível dos ativos remanescentes, aprendendo com os erros para fortalecer o sistema financeiro como um todo.

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