Apesar das incertezas relacionadas ao abastecimento de água em São Paulo, especialmente devido aos baixos níveis do Sistema Cantareira, o banco JPMorgan reafirmou sua recomendação de compra para as ações da Sabesp (SBSP3). A instituição financeira elevou o preço-alvo para R$ 152, com projeção para o final de 2026, demonstrando confiança na capacidade da companhia de gerenciar os riscos hídricos.
Os receios do mercado em relação à Sabesp têm sido impulsionados pela volatilidade das chuvas e pela consequente redução na capacidade dos reservatórios. No acumulado do ano, as ações da empresa já haviam registrado uma queda de 7%, refletindo essa apreensão. Contudo, o JPMorgan argumenta que a empresa dispõe de mecanismos eficazes para mitigar os efeitos da imprevisibilidade climática e garantir segurança aos investidores.
A visão construtiva do banco se apoia em fatores previsíveis, como o Sistema Integrado Metropolitano (SIM). Essa rede abrange diversos reservatórios da Sabesp, além do Cantareira, e responde por aproximadamente metade do abastecimento total. Atualmente, esses outros reservatórios apresentam afluências acima da média histórica, compensando a menor captação do Cantareira. Em janeiro, por exemplo, a afluência geral do Sistema Integrado ficou próxima da média histórica agregada.
Adicionalmente, a Sabesp planeja implementar novas transferências de água nos próximos 24 meses, com expectativa de adicionar cerca de 12% à produção total. Essa expansão visa fortalecer ainda mais a segurança hídrica da região.
O JPMorgan também destaca que o novo modelo regulatório pós-privatização da Sabesp contribui para a redução de riscos. Em cenários de menor comercialização de água, o impacto negativo nos resultados de curto prazo pode ser mitigado por meio de revisões tarifárias futuras. O modelo atual permite que as tarifas sejam ajustadas com base em volumes históricos de vendas, e em situações de crise hídrica severa, a regulação prevê compensações financeiras extraordinárias, mediante aprovação da agência reguladora.
Apesar do otimismo, o JPMorgan sinaliza pontos de atenção, incluindo riscos de execução em melhorias operacionais, o risco político associado à participação do governo estadual e potenciais frustrações dos investidores com a governança corporativa, o ritmo de melhora da rentabilidade e a cobertura tarifária. Ruídos relacionados a eleições municipais também podem impactar a reputação da companhia.

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