Luis Stuhlberger, da Verde Asset, enxerga o dólar subvalorizado e defende proteção cambial estratégica, mirando R$ 4,40.
Luis Stuhlberger, renomado gestor da Verde Asset, fez uma projeção audaciosa para o dólar, prevendo que a moeda americana pode atingir R$ 4,40. Ele considera o câmbio o principal ativo com precificação incorreta no mercado brasileiro, apresentando uma oportunidade clara para investidores se protegerem, especialmente diante do cenário de incertezas das eleições.
Mesmo com a recente valorização do real, Stuhlberger argumenta que o dólar ainda está distante de seu valor justo. Ele destaca que, ao comparar o real com outras moedas, a apreciação da moeda brasileira foi menor, justificando a visão de que o câmbio segue “extremamente fora do lugar”.
Para o gestor, analisar o comportamento do câmbio é mais direto do que o da bolsa de valores no curto prazo. Enquanto as ações dependem de fluxos de capital, o dólar responde de forma mais imediata a fundamentos macroeconômicos e diferenciais de política econômica. Essa percepção, aliada a projeções internacionais, fundamenta a defesa de um “hedge barato” para investidores brasileiros, conforme divulgado em evento do UBS BB nesta terça-feira (27).
Dólar em R$ 4,40: uma oportunidade “pró-Brasil”
Stuhlberger sugere que, caso fosse montar uma nova posição com viés “pró-Brasil” neste momento, seu foco não estaria nas ações, que já apresentaram forte valorização, mas sim no câmbio. Ele enxerga um valor justo para o dólar em torno de R$ 4,40, o que configura uma oportunidade de ganho e proteção.
A defesa de um dólar mais fraco não se restringe apenas ao cenário doméstico. O gestor aponta que a política econômica dos Estados Unidos deve continuar exercendo pressão sobre a moeda americana nos próximos anos. Ele menciona que a estratégia de Donald Trump visa desvalorizar o dólar, e esse movimento, segundo ele, ainda não terminou.
Cenário internacional e o “trumpismo” no dólar
Stuhlberger descreve a política econômica americana sob Trump como uma combinação de populismo fiscal, pressão política sobre instituições e estímulos diretos à renda, algo incomum para a maior economia do mundo e que lembra políticas de países emergentes.
O ambiente político nos EUA tende a se tornar mais instável com a proximidade das eleições de meio de mandato em novembro. Stuhlberger acredita que Trump intensificará medidas populistas para evitar uma derrota eleitoral, o que pode aumentar a incerteza institucional e fiscal.
Essa instabilidade, na visão do gestor, cria um cenário favorável para a saída de recursos de ativos dolarizados globais. Movimentações, mesmo que marginais, já têm impacto relevante em mercados menores como o Brasil, contribuindo para a recente alta da bolsa brasileira. Ele exemplifica que a saída de apenas 3% dos US$ 36 trilhões que estrangeiros detêm em ativos nos EUA causaria um “estrago enorme” em mercados pequenos.
“Hedge emocional”: proteção de baixo custo
É nesse contexto que Stuhlberger defende que o investidor brasileiro aproveite o custo historicamente baixo do dólar para adquirir instrumentos de proteção cambial. Ele propõe o “hedge emocional”, vendo-o não apenas como defesa financeira, mas como uma forma de navegar períodos de estresse político, como as eleições brasileiras, com mais tranquilidade.
“Eu gosto da ideia de hedge emocional. Você paga muito pouco por ele. Mesmo que você ganhe pouco, já fica satisfeito, porque os outros ativos continuam andando. Se a disputa ficar em 50/50 até o final, é melhor guardar esses hedges baratos de dólar e real”, concluiu.

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