TCU investiga venda de carteiras de crédito falsas do Banco Master e conduta de diretor do Banco Central
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, que já conduz uma investigação sobre a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master, assumiu a relatoria de um novo processo sobre o caso. A representação pede que a corte de contas apure a venda de carteiras de crédito falsas do Master para o Banco de Brasília (BRB) e a conduta do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino.
A nova representação, protocolada pelo subprocurador-geral do Ministério Público junto ao TCU (MPTCU), Lucas Rocha Furtado, busca esclarecimentos sobre a alegada **precipitação do Banco Central** na liquidação da instituição financeira. O foco agora se expande para a suposta irregularidade na venda de ativos e o envolvimento de agentes públicos.
O caso ganhou novos contornos após o próprio Banco Central denunciar ao Ministério Público Federal (MPF) que o Banco Master teria vendido **R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito falsas** ao BRB. Essa denúncia foi o ponto de partida para a primeira fase da operação Compliance Zero, que busca desvendar as fraudes.
Investigação sobre venda de carteiras e conduta de diretor do BC
O ministro Jhonatan de Jesus, que já sinalizou a possibilidade de medidas cautelares contra o BC, agora terá sob sua responsabilidade a análise da representação que cita reportagem da colunista Malu Gaspar, de O Globo. Segundo a publicação, o diretor do BC, Ailton Aquino, teria solicitado ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que a instituição adquirisse carteiras do Master. Paulo Henrique Costa teria, inclusive, apresentado mensagens com este pedido ao conselho de administração do BRB.
Em resposta às alegações, o Banco Central divulgou nota na última sexta-feira, 23, **negando que Aquino tenha recomendado a compra de carteiras fraudadas**. O diretor colocou suas informações bancárias, fiscais e registros de conversas com o ex-presidente do BRB à disposição das autoridades. Dois conselheiros do BRB também negaram as informações em carta interna.
MPTCU pede apuração de conduta e regularidade das operações
A representação do MPTCU, datada do mesmo dia da publicação da reportagem, solicita a apuração da conduta de Ailton Aquino e de outros agentes públicos que possam ter se envolvido no caso. Além disso, pede a investigação da **regularidade das operações de aquisição de carteiras de crédito do Master pelo BRB**.
O objetivo é identificar os responsáveis pelos prejuízos causados ao banco público, que é o BRB. A denúncia do BC sobre os R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas vendidas pelo Master ao BRB é a base para a continuidade das investigações. Até o momento, não há movimentações registradas no processo no TCU.
Contexto da liquidação do Banco Master
A liquidação do Banco Master pelo Banco Central ocorreu no fim do ano passado, gerando questionamentos sobre a atuação do regulador. O ministro Jhonatan de Jesus já havia determinado uma inspeção de **”máxima urgência”** no BC, mas recuou após uma reunião com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Ficou acordado que técnicos da corte de contas realizariam uma **”diligência”** no regulador, sem acesso a informações sigilosas.

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