Tesouro Reserva chega para revolucionar a gestão do dinheiro do dia a dia, oferecendo mais segurança e rentabilidade que a poupança e similares.
A partir de março, o cenário de investimentos de curto prazo no Brasil ganha um novo protagonista: o Tesouro Reserva. Desenvolvido pelo Tesouro Direto, este novo título público promete facilitar a vida de quem busca uma aplicação rentável, segura e com liquidez total, competindo diretamente com a poupança e os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com liquidez diária.
O objetivo é claro, ampliar o acesso da população a investimentos mais eficientes, especialmente para quem tem dificuldade em poupar ou busca uma alternativa mais vantajosa para o dinheiro guardado para emergências ou gastos cotidianos. A proposta é eliminar as barreiras que afastam muitos brasileiros do mercado financeiro.
Com características inovadoras, o Tesouro Reserva visa não apenas atrair novos investidores, mas também fidelizar os atuais, oferecendo uma experiência de uso simplificada e previsível. A iniciativa, segundo especialistas, pode impulsionar a educação financeira e a formação de hábitos de poupança.
O Tesouro Reserva funcionará de forma semelhante ao Tesouro Selic, rendendo a taxa básica de juros da economia diariamente. No entanto, uma das grandes inovações é a eliminação dos ajustes de preço ao valor de mercado, o que significa que o investidor não verá seu dinheiro oscilar, garantindo previsibilidade total ao valor investido. Isso é um grande avanço para quem se sente inseguro com pequenas variações.
Outro diferencial marcante é a flexibilidade de saques. Ao contrário das aplicações tradicionais que possuem horários restritos, o Tesouro Reserva permitirá retiradas a qualquer momento, 24 horas por dia, 7 dias por semana, incluindo fins de semana e feriados. Essa liquidez total o assemelha a uma conta corrente remunerada, mas com a segurança e a rentabilidade de um título público.
A acessibilidade é outro ponto forte. O novo título permitirá aplicações a partir de apenas R$ 1,00, um valor significativamente menor do que os R$ 100 ou mais exigidos em outros papéis do Tesouro Direto. Isso abre as portas para pessoas com renda mais baixa ou para quem deseja criar o hábito de investir pequenas quantias regularmente.
Adeus, oscilações e horários restritos
Paula Bazzo, planejadora financeira CFP, destaca que o Tesouro Reserva preenche uma lacuna importante no mercado. “Ele passa a ter uma função realmente de reserva”, afirma, comparando sua liquidez com a dos CDBs diários que já ofereciam saques a qualquer hora. A ausência de marcação a mercado é vista como uma vantagem crucial para a alfabetização financeira.
A eliminacão da marcação a mercado, que pode causar pequenas variações no Tesouro Selic, é um fator que traz tranquilidade. Para o público em geral, saber que o valor investido sempre crescerá, sem surpresas negativas, é um diferencial importante para a compreensão e adoção do investimento. Isso reduz a insegurança e incentiva a continuidade.
Embora a taxa de custódia para o novo título ainda não tenha sido detalhada, Paula Bazzo observa que, para valores de até R$ 10 mil, a isenção já é uma realidade em outros papéis do Tesouro. Mesmo com uma eventual cobrança, a expectativa é que não comprometa a atratividade da aplicação, especialmente quando comparada aos CDBs diários, que muitas vezes pagam taxas ligeiramente inferiores ao CDI.
Democratizando o acesso ao investimento público
A tributação do Tesouro Reserva seguirá o padrão da renda fixa, com imposto de renda cobrado apenas no momento do resgate. A possibilidade de investir a partir de R$ 1,00 é um convite para que pessoas com rendas menores possam começar a construir patrimônio. A sobra de R$ 10 ou R$ 15 na conta poderá ser investida, gerando rendimento e incentivando o hábito de poupar.
Comparado às “caixinhas” ou “cofrinhos” digitais dos bancos, que geralmente utilizam CDBs diários como base, o Tesouro Reserva oferece o chamado risco soberano, o menor do mercado. Embora os CDBs contem com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para valores de até R$ 250 mil por CPF, a segurança intrínseca do título público é um diferencial.
A chegada do Tesouro Reserva promete gerar uma concorrência saudável no sistema financeiro. Bancos e outras instituições podem ser incentivados a aprimorar suas ofertas, não apenas em rentabilidade, mas também em experiência de uso e facilidade de acesso. A disputa por onde o investidor colocará seu dinheiro pode resultar em melhores condições para o consumidor.
Competição acirrada com fundos DI e CDBs
Martin Iglesias, gerente de produtos de investimentos do Itaú Unibanco, vê o Tesouro Reserva como um forte concorrente para o próprio Tesouro Selic, fundos DI, CDBs DI e até mesmo a poupança. Ele destaca a rentabilidade atrelada à Selic, sem oscilação de marcação a mercado, tornando-o similar a um CDB DI com a conveniência de resgate imediato via PIX.
O Tesouro Selic, embora similar, ainda carrega um pequeno risco de marcação a mercado e possui restrições de horário para saque. A possibilidade de um deságio no Tesouro Selic poderia, em tese, gerar um retorno maior, mas o Tesouro Reserva oferece mais previsibilidade e conveniência para o dia a dia.
Em relação aos fundos DI, Iglesias aponta que, apesar de poderem oferecer rentabilidade ligeiramente superior, sofrem com a cobrança do come-cotas, uma antecipação semestral do imposto de renda. Além disso, a taxa de administração e o risco de alguma volatilidade nas cotas precisam ser considerados. O Tesouro Reserva, por outro lado, só tributa no resgate.
Os CDBs com liquidez diária, frequentemente usados em “caixinhas” bancárias, oferecem rentabilidades próximas ao CDI e liquidez 24/7, muitas vezes integrados ao PIX. Iglesias os considera uma das melhores experiências de usuário, permitindo vincular aplicações a objetivos específicos. No entanto, o risco de crédito do banco emissor é um ponto de atenção para o investidor.
Barreira psicológica superada
Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, acredita que o Tesouro Reserva ataca um problema estrutural: a insegurança. Para ele, a maioria das pessoas desiste de investir não pela falta de retorno, mas pelo medo de ver o saldo oscilar. Ao eliminar a marcação a mercado, o novo título busca resolver essa barreira psicológica, tornando os títulos públicos mais acessíveis.
Patrus compara a experiência do Tesouro Reserva com a da poupança e das caixinhas digitais, mas com uma estrutura mais transparente. Ele vê o título como uma extensão da conta corrente com lógica de investimento, simplificando o ato de poupar e tornando-o mais previsível. Quanto menos decisões o investidor precisa tomar, maior a chance de ele manter o hábito.
O Tesouro Reserva também funciona como um ponto de partida para a educação financeira. Ele permite que o investidor ganhe confiança antes de se expor a produtos mais complexos. Além disso, abre espaço para que fintechs desenvolvam soluções que automatizem o hábito de poupar e integrem a reserva financeira ao cotidiano do usuário.
Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, vê o Tesouro Reserva como uma evolução natural na democratização de investimentos. Ele ataca fragilidades históricas como baixa rentabilidade, falta de transparência e dependência de produtos bancários. Sendo um título público federal, oferece risco soberano, regras claras e previsibilidade, reduzindo incertezas comparado a poupança e fundos conservadores.
Araújo destaca que, enquanto a poupança tem rendimento limitado e fundos podem corroer o retorno com taxas, o Tesouro Reserva tende a ser mais eficiente ao diminuir a intermediação e custos ocultos. Ele acredita que o novo título pressionará o sistema financeiro a rever produtos menos eficientes e reforça o papel do Tesouro Direto como ferramenta de inclusão financeira, oferecendo mais retorno, clareza e controle ao investidor de menor renda.

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