Trump emite discurso de “State of the Union” exaltando “era de ouro” americana, mas enfrenta ceticismo e críticas sobre a economia e o custo de vida.
Em um discurso televisionado no Congresso, o presidente Donald Trump declarou ter inaugurado a “era de ouro da América”, buscando projetar uma imagem de sucesso em meio a índices de aprovação em queda e crescente frustração dos eleitores. O pronunciamento ocorreu em um momento delicado para sua presidência, com pesquisas indicando a insatisfação da maioria dos americanos com seu desempenho.
O foco principal de Trump foi a economia, onde ele creditou a si mesmo por desacelerar a inflação, impulsionar o mercado de ações a níveis recordes, sancionar cortes de impostos e reduzir os preços de medicamentos. No entanto, a avaliação otimista do presidente não pareceu dissipar a irritação popular com o alto custo de vida, com eleitores responsabilizando Trump por não agir mais para aliviar a crise.
Apesar das declarações de prosperidade, dados recentes mostram que a economia desacelerou mais do que o esperado no último trimestre, enquanto a inflação acelerou. Uma pesquisa Reuters/Ipsos revelou que apenas 36% dos americanos aprovam a condução da economia pelo presidente, alimentando as esperanças democratas de retomar o controle do Congresso nas próximas eleições.
Discurso com foco em conquistas e confrontos
Trump dedicou uma hora de seu discurso à economia, detalhando o que chamou de sucessos em cortes de impostos e redução de preços de medicamentos. Ele também celebrou as vitórias americanas, incluindo a equipe masculina de hóquei no gelo, que conquistou medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno. O presidente anunciou que o goleiro Connor Hellebuyck receberia a Medalha Presidencial da Liberdade.
O pronunciamento, que durou 1 hora e 47 minutos, quebrou o recorde de Trump como o mais longo discurso presidencial ao Congresso. Durante o evento, Trump exibiu um lado combativo ao abordar a imigração, trocando insultos com parlamentares democratas e repetindo retórica de sua campanha de 2024, alegando que imigrantes indocumentados são responsáveis por crimes violentos, apesar de estudos indicarem o contrário.
Críticas democratas e protestos no Congresso
A governadora democrata da Virgínia, Abigail Spanberger, apresentou a resposta oficial de seu partido, criticando Trump por abandonar os americanos em dificuldade e questionando se o presidente está realmente trabalhando para tornar a vida mais acessível. A deputada democrata Ilhan Omar gritou em direção a Trump, acusando-o de ter “matado americanos”, em referência a ações de agentes federais de imigração.
O discurso também foi marcado por protestos. O deputado democrata Al Green foi retirado do plenário por exibir um cartaz contra Trump, referindo-se a um vídeo publicado pelo presidente. Diversas mulheres democratas usaram crachás com a frase “liberem os arquivos”, aludindo ao escândalo Jeffrey Epstein, enquanto outras destacaram palavras como “acessibilidade” e “saúde” em seus blazers.
Incertezas sobre política externa e tecnologia
Apesar de a terça-feira marcar o quarto aniversário da invasão russa à Ucrânia, Trump dedicou pouco tempo à política externa, mal mencionando o conflito. Ele também não discutiu a China, principal rival econômico dos EUA, nem a Groenlândia. Trump reafirmou sua intenção de impedir que o Irã obtenha armas nucleares, mas manteve incertos seus planos em relação ao país, afirmando que sua preferência é resolver o problema por meio da diplomacia.
O presidente também não abordou a inteligência artificial, tecnologia que tem impulsionado o mercado de ações e gerado preocupações sobre a segurança no emprego. A decisão da Suprema Corte sobre tarifas de importação, que enfraqueceu uma de suas principais políticas, foi classificada como “infeliz” por Trump, mas ele argumentou que teria pouco impacto em sua política comercial.
Oposição democrata e a contagem regressiva para as eleições
Com as eleições legislativas de meio de mandato se aproximando em novembro, os democratas esperam retomar o controle do Congresso. A insatisfação dos eleitores com a economia e o custo de vida, combinada com a retórica confrontadora de Trump, pode influenciar significativamente o resultado eleitoral.
A resposta oficial do Partido Democrata criticou veementemente as políticas de Trump, destacando a falta de ações concretas para aliviar as dificuldades financeiras enfrentadas pelos americanos. A divisão entre as visões apresentadas por Trump e as preocupações populares molda o cenário político em um ano eleitoral crucial.

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