A Usiminas (USIM5), uma das gigantes brasileiras na produção de aço plano, vislumbra um futuro de maior rentabilidade impulsionado por recentes decisões do governo federal. A companhia espera consolidar uma ocupação mais expressiva do mercado interno após a implementação de medidas de defesa comercial contra a importação de aço chinês.
A China tem sido um player significativo no mercado de aço plano brasileiro, representando uma parcela considerável das importações. A aprovação de medidas antidumping para laminados a frio e galvanizados, pleiteadas pelo setor siderúrgico nacional, cria um cenário mais favorável para a Usiminas expandir suas vendas e melhorar seus resultados financeiros nos próximos meses.
Essas ações governamentais, anunciadas pela Gecex-Camex, visam equalizar a concorrência e proteger a indústria nacional. A expectativa é que a redução da entrada de produtos estrangeiros abra espaço para que a Usiminas e outras empresas brasileiras aumentem sua participação de mercado, refletindo positivamente na rentabilidade. As informações são do vice-presidente comercial da Usiminas, Miguel Camejo, em conferência com analistas e investidores.
Table of Contents
ToggleUsiminas Vê Oportunidade com Restrição à Importação Chinesa
O volume de aço plano importado no ano passado atingiu 4 milhões de toneladas, com uma expressiva fatia de 60% originária da China. Miguel Camejo destacou que essa realidade indica um **espaço importante para a retomada e potencial crescimento das vendas internas** da Usiminas. A empresa busca capitalizar essa nova dinâmica de mercado para fortalecer sua posição.
As ações da Usiminas reagiram positivamente à notícia, figurando entre as maiores altas do Ibovespa em pregão recente. A medida antidumping afeta produtos que, segundo analistas do Citi, representam cerca de dois terços dos volumes de vendas da siderúrgica, reforçando o impacto positivo esperado.
Expectativa de Cenário Favorável para Laminados a Quente
Além dos laminados a frio e galvanizados, a Usiminas também aguarda uma decisão favorável do governo em relação aos laminados a quente. A empresa tem pedidos de antidumping em andamento para essa categoria de produtos, e Camejo expressou otimismo quanto a um desfecho semelhante ao obtido para os laminados a frio. A expectativa é de que a medida definitiva para os laminados a quente seja implementada por volta de julho deste ano.
Com um cenário de preços e margens potencialmente mais favoráveis, a **Usiminas espera uma retomada na sua rentabilidade** a partir dos próximos meses. Essa melhora nas condições de mercado é vista como um fator crucial para a recuperação e o crescimento sustentável da companhia.
Setor Automotivo e Novos Mix de Vendas
Apesar do otimismo geral, o setor automotivo, um dos principais clientes da Usiminas, tem visto uma redução de 2% a 3% nos preços do aço para contratos anuais que vencem em janeiro. Uma situação similar é esperada para contratos com vencimento em abril. No entanto, analistas do Itaú BBA apontam que o setor automotivo representa 60% das vendas de aço revestido da Usiminas, e que os negócios com montadoras devem ser pouco afetados pela decisão de antidumping.
Para diversificar sua receita, a Usiminas prevê um **mix de vendas mais equilibrado em 2024**, com 30% destinadas a montadoras, um terço para distribuidores e o restante para a indústria em geral. Em janeiro, a empresa já havia promovido um aumento de cerca de 5% nos preços do aço para distribuidores.
Capacidade Produtiva e Projeto de Mineração
Em relação à possibilidade de reativar algum alto-forno, como o de Cubatão (SP), o presidente-executivo da Usiminas, Marcelo Chara, afirmou que a decisão dependerá do comportamento do mercado brasileiro. Ele ressaltou que, no curto e médio prazos, não há previsão para reativação de unidades paralisadas, como a de Cubatão, que deixou de produzir aço bruto em 2016.
Sobre o alto-forno 1 de Ipatinga (MG), desligado em 2023, Chara explicou que os investimentos realizados no alto-forno 3, que passou por uma grande reforma e é o maior da empresa, conferiram à Usiminas uma capacidade produtiva suficiente para suprir a demanda anteriormente atendida pelo forno 1. A reforma do alto-forno 3 foi concluída em 2024 e ele tem capacidade para 3 milhões de toneladas de ferro-gusa por ano.
No segmento de mineração, o aguardado “Projeto Compactos”, que prevê um investimento bilionário para a produção de minério de ferro de alta qualidade, **deve ter novidades ainda este ano**. A companhia segue avançando no processo de licenciamento ambiental e uma decisão formal sobre a continuidade do projeto é esperada para a segunda metade de 2024 ou 2025.

O Pra Quem Investe é um portal dedicado a transformar informação financeira em conhecimento acessível. Aqui, você encontra notícias, análises, insights e conteúdos educativos criados para ajudar investidores — iniciantes ou experientes — a entender o mercado, tomar decisões mais seguras e construir um futuro financeiro sólido. Nosso objetivo é simplificar o mundo dos investimentos e mostrar, na prática, como uma boa gestão financeira pode mudar vidas.













