XP Investimentos revisa projeção para a Selic em 2024, antecipando ciclo de cortes, mas pontua riscos globais e internos
A XP Investimentos mantém a expectativa de que o Banco Central iniciará o ciclo de cortes na taxa Selic já na próxima reunião, prevista para este mês. A projeção inicial aponta para uma redução de 0,50 ponto percentual, dando o pontapé inicial em uma sequência de afrouxamento monetário ao longo do ano.
A casa de análise prevê cinco cortes consecutivos da mesma magnitude, o que levaria a taxa básica de juros a fechar o ano em 12,50%. Essa perspectiva se baseia em uma avaliação de que o cenário atual permite a flexibilização da política monetária, apesar de algumas pressões inflacionárias recentes.
No entanto, o cenário não está isento de desafios. Tensões geopolíticas, especialmente o conflito entre Estados Unidos e Irã, e as incertezas relacionadas às eleições e à política fiscal brasileira podem frear o ritmo de cortes no segundo semestre. Essas informações foram divulgadas em relatório assinado pelo economista Caio Megale.
Inflação sob controle, mas com ressalvas
Segundo o relatório da XP, a dinâmica inflacionária, apesar de uma leitura mais pressionada do IPCA-15 em fevereiro, segue considerada relativamente benigna no curto prazo. Paralelamente, a atividade econômica, que mostrou perda de força no segundo semestre de 2025, já apresenta sinais de uma recuperação gradual, o que reforça a possibilidade de início do ciclo de afrouxamento monetário.
Cenário político e fiscal como freios para a Selic
Apesar do otimismo inicial, o economista Caio Megale avalia que o Banco Central tende a frear o ritmo dos cortes na segunda metade do ano. O principal motivo apontado é o cenário político, que traz incertezas significativas. O volume de estímulos fiscais previstos para 2024 e a dinâmica da taxa de câmbio são fatores de atenção para a autoridade monetária.
O cenário-base da XP assume que o próximo governo implementará medidas de despesas, mas não em escala suficiente para estabilizar a relação dívida/PIB. Mesmo assim, a XP vê espaço para o banco central retomar o ciclo de flexibilização no ano seguinte, porém de forma limitada, indicando um cenário de juros mais altos por mais tempo.
Tensões geopolíticas e o preço do petróleo impactam a Selic
Um dos principais riscos no radar da XP é o avanço do preço do petróleo, impulsionado pelas tensões geopolíticas, especialmente após a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. O barril de petróleo chegou a ficar cerca de 30% acima da hipótese-base da XP, que considerava o preço a US$ 60, alcançando níveis próximos de US$ 80.
Caso essa alta se mostre persistente, o Banco Central pode optar por iniciar o ciclo de cortes de forma mais gradual, com uma redução menor na Selic, possivelmente de 0,25 ponto percentual. Essa cautela visa mitigar o risco de pressões inflacionárias vindas do setor energético.
Riscos inflacionários se acumulam no segundo semestre
O economista da XP reforça que o balanço de riscos para a inflação tende a se tornar mais incerto no segundo semestre. A combinação de pressões climáticas sobre os preços dos alimentos, maior volatilidade cambial em um ambiente de eleições presidenciais e a continuidade dos estímulos fiscais podem dificultar a convergência da inflação para as metas no horizonte mais longo.
Mesmo diante desses riscos, no cenário-base da XP, a taxa Selic terminaria 2024 em 12,50% e 2025 em 11%. Em termos reais, o juro permaneceria próximo de 8%, um patamar considerado elevado e acima do nível neutro estimado pela casa, que seria de cerca de 5,5%, refletindo os desafios fiscais esperados para os próximos anos.

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