Zema ataca reajuste salarial no Congresso e ignora aumento próprio
O governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), utilizou suas redes sociais para criticar veementemente o projeto de lei que propõe um reajuste salarial significativo e um regime de trabalho diferenciado para os servidores do Congresso Nacional. A declaração surge em um momento de debate acirrado sobre gastos públicos e remunerações no setor público.
Zema classificou a proposta como um absurdo, afirmando que o Congresso decidiu “trabalhar menos e ganhar o dobro”. A declaração foi feita em um vídeo divulgado na última quinta-feira, 5, onde o governador expressa sua insatisfação com o que ele considera um privilégio indevido.
O projeto em questão prevê a criação da Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico (GDAE), que tem o potencial de dobrar o salário base do cargo efetivo do servidor. Além disso, a proposta inclui um dia de folga a cada três dias trabalhados. Essas medidas podem fazer com que a remuneração de alguns funcionários de alto escalão da Câmara alcance aproximadamente R$ 77 mil.
Críticas e oposição do Partido Novo
Em seu pronunciamento, Zema associou a decisão do Congresso à gestão do atual governo, declarando: “Parece piada de mau gosto, mas é o Brasil de Lula”. A crítica se intensifica ao notar que, durante as votações do projeto, as lideranças governistas não apresentaram objeções formais. A única legenda a orientar voto contrário à proposta foi o Partido Novo, sigla de Zema.
Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm tentado se distanciar da autoria do benefício. A Secretaria de Relações Institucionais (SRI) e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), informaram que não houve qualquer acordo ou consulta prévia com os parlamentares sobre o texto do projeto.
Aumento salarial de Zema em Minas Gerais
Contudo, as críticas de Zema ao aumento de salários no Congresso contrastam com uma decisão tomada em seu próprio estado. Em 2023, o governador sancionou uma lei que resultou em um **aumento de 300% em seu próprio salário**, além dos vencimentos do vice-governador e dos secretários estaduais.
A legislação, promulgada em maio do ano passado, estabeleceu um sistema de reajuste progressivo para esses cargos. Na época, o governo de Minas Gerais justificou a medida argumentando que os salários pagos anteriormente eram considerados incompatíveis com o nível de responsabilidade e a experiência exigidos para o exercício das funções de alto escalão no executivo estadual.
Debate sobre remuneração e gastos públicos
O episódio levanta um debate importante sobre a remuneração de agentes públicos e a percepção de privilégios. Enquanto Zema aponta o dedo para o Congresso, sua própria iniciativa de aumentar substancialmente os salários no governo de Minas Gerais gera questionamentos e coloca em xeque a coerência de suas críticas.
A discussão sobre a GDAE no Congresso e o aumento salarial em Minas Gerais reflete a complexidade da gestão pública e a constante tensão entre a necessidade de atrair e reter talentos em cargos de liderança e a demanda da sociedade por austeridade e responsabilidade fiscal. O caso de Zema, portanto, adiciona uma camada de ironia ao debate nacional sobre salários de políticos e servidores.

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