Governo Lula destina R$ 10 bilhões fora da meta primária para estatais em 2027
O governo federal, sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, estabeleceu uma previsão de até R$ 10 bilhões em gastos que ficarão fora da meta de resultado primário das estatais não dependentes para o Orçamento de 2027. Essa manobra financeira tem como objetivo principal viabilizar empresas em processo de reequilíbrio econômico-financeiro, permitindo que elas apresentem déficits sem comprometer o cumprimento das metas fiscais centrais.
A decisão, anunciada pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, durante a apresentação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), é semelhante à permissão concedida para 2026. Naquele ano, um espaço de R$ 10 bilhões foi aberto para que os Correios pudessem arcar com um empréstimo destinado à sua recuperação financeira.
Essa exceção na meta é crucial para operações como a prevista para os Correios em 2027. Conforme indicado pela ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos em março, a União deve realizar um aporte de capital na empresa. O ministro Moretti confirmou que a liberação de R$ 10 bilhões da meta das estatais em 2027 visa justamente abrir espaço fiscal para essa e outras operações similares.
Exceção para reequilíbrio financeiro de estatais
O ministro Bruno Moretti explicou que a medida é idêntica à adotada na LDO de 2026 para a meta das estatais. Ele ressaltou que, quando uma empresa está em processo de reequilíbrio financeiro, mesmo que realize despesas no curto prazo, está, na verdade, contratando um ajuste econômico-financeiro para o futuro. Essa lógica ampara a permissão para que os gastos não sejam computados na meta primária central.
A exceção à meta fiscal, assim como ocorreu no Orçamento de 2026, é restrita a empresas que possuam um **plano de reequilíbrio econômico-financeiro aprovado e vigente**. A meta das estatais para o ano de 2027 ainda será detalhada pelo governo.
Correios e o plano de recuperação financeira
Em 2025, o resultado primário das empresas consideradas para a meta foi de um déficit de R$ 5,1 bilhões, com os Correios respondendo por R$ 1 bilhão desse total, um valor que se manteve dentro da meta estabelecida de até R$ 6,9 bilhões de déficit. A apuração desse resultado é feita pelo Banco Central (BC).
Para auxiliar na retomada das finanças dos Correios, o Conselho Monetário Nacional (CMN) pré-aprovou um novo empréstimo de até R$ 8 bilhões com garantia da União. Essa ação eleva o limite global de crédito da estatal de R$ 15,625 bilhões para R$ 23,625 bilhões, buscando dar continuidade às medidas de recuperação econômica.
No final de 2025, os Correios já haviam contratado cerca de R$ 12 bilhões em crédito com um grupo de bancos, mas buscavam um montante maior, de até R$ 20 bilhões, para viabilizar seu plano de reestruturação. O novo espaço de crédito autorizado visa assegurar a implementação das medidas de recuperação financeira aprovadas em dezembro.
O Ministério da Fazenda esclareceu que o CMN criou um **sublimite específico para os Correios** dentro das regras de crédito com garantia da União. Essa medida, segundo a pasta, não representa um aumento de despesas para o Tesouro, mas sim uma reorganização dos limites de crédito já existentes.

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