O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade de São Paulo (USP) aprovou, em assembleia realizada nesta quarta-feira (15), a adesão à greve na instituição. A decisão estudantil se alinha ao movimento iniciado na terça-feira (14) pelos servidores técnicos-administrativos, que protestam contra a criação de um bônus financeiro destinado exclusivamente aos professores.
A assembleia estudantil aconteceu no vão da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), na Cidade Universitária. Manifestantes entoaram cânticos contra a reitoria da USP, que, até o momento da publicação desta matéria, não havia se pronunciado oficialmente sobre a decisão dos alunos. O DCE já havia declarado apoio à paralisação dos servidores.
Além de apoiar a greve dos servidores, os estudantes aproveitaram para intensificar suas próprias pautas. Entre as reivindicações estão melhorias urgentes no bandejão (restaurante universitário), a implementação de um vestibular voltado para pessoas indígenas e a ampliação de cotas para pessoas trans, além de demandas específicas de cada unidade de ensino. Conforme informação divulgada pelo DCE, estudantes de mais de 100 cursos da USP, tanto na capital quanto no interior, paralisaram suas atividades.
Servidores Exigem Isonomia Salarial e Rejeitam Bônus para Docentes
A greve dos servidores da USP foi deflagrada em resposta à Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas, aprovada no final de março pelo reitor Aluisio Segurado. Essa medida prevê um adicional de até R$ 4.500 nos salários de docentes que apresentarem novos projetos, com o objetivo de reter talentos, especialmente entre as contratações recentes. O custo anual estimado da gratificação para a USP é de cerca de R$ 238 milhões.
O bônus, com duração de dois anos, é concedido mensalmente e beneficia professores em regime de tempo integral, que representam mais de 80% do corpo docente. O valor adicional pode chegar a 27% do salário inicial de um professor doutor em dedicação exclusiva, que atualmente é de R$ 16,3 mil. Para os funcionários, essa exclusividade para professores contraria o princípio da isonomia.
O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) propõe que o montante destinado aos docentes seja dividido entre os funcionários, o que resultaria em um reajuste salarial de até R$ 1.600 para cada um. Solange Conceição Lopes, diretora do Sintusp, ressalta a importância dos trabalhadores no dia a dia da universidade, afirmando que “O professor aqui não trabalha sozinho. Os funcionários ficam nos laboratórios, nas aulas. Eles precisam dos trabalhadores para desenvolver suas pesquisas”.
Estudantes Cobram Melhorias e Acesso Ampliado à USP
O DCE da USP destacou as condições precárias enfrentadas pelos estudantes, como a presença de insetos e outros materiais inadequados nos alimentos servidos nos restaurantes universitários. “Decidimos não mais naturalizar o que não é normal. Os estudantes comerem larva, barata, vidro, não é normal”, declarou a entidade em nota. A universidade possui cerca de 12.600 funcionários técnico-administrativos, em comparação com os mais de 5.300 professores, segundo dados de 2024.
A reitoria da USP informou que está previsto um investimento de aproximadamente R$ 461 milhões no Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que beneficia quase 16 mil alunos. Sobre a qualidade dos restaurantes universitários, a instituição afirmou que ela é constantemente analisada por nutricionistas e pela gestão administrativa, e que foram emitidos alertas e advertências às empresas responsáveis.
Apesar de a Reitoria ter afirmado que realizou uma reunião com representantes estudantis na terça-feira e proposto a criação de grupos de trabalho para discutir as demandas, os estudantes optaram por aprovar o estado de greve. A universidade reiterou seu compromisso com o diálogo construtivo e o respeito à diversidade.
Próximos Passos da Greve na USP
A aprovação da greve pelos estudantes foi celebrada pelo Sintusp, que declarou em suas redes sociais: “Nós estudantes e trabalhadores da USP somos o coração pulsante da universidade e vamos lutar juntos em defesa de uma universidade mais igualitária a serviço dos trabalhadores e do povo pobre!”. A paralisação estudantil já havia sido aprovada anteriormente pelo grêmio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design, e pelo Conselho das Entidades da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH).
Agora, cada centro acadêmico de curso deverá convocar sua própria assembleia para decidir sobre a adesão formal ao movimento. O DCE já havia realizado manifestações e piquetes pelos prédios da USP na terça-feira, inspirados pela luta dos funcionários por reajuste salarial e isonomia, mesmo diante de ameaças de corte de ponto.

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