Soldado Americano Envolvido em Apostas com Informação Privilegiada sobre Maduro
Um soldado das Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos, com acesso a informações sigilosas, está sendo acusado de utilizar esses dados para realizar apostas com fins lucrativos em uma plataforma de previsões. A informação confidencial teria sido usada para apostar em desfechos relacionados à Venezuela, incluindo a possibilidade de o líder Nicolás Maduro ser removido do poder.
Segundo autoridades federais e o FBI, o militar, identificado como subtenente Gannon Ken Van Dyke, lotado em Fort Bragg, na Carolina do Norte, teria lucrado mais de US$ 400 mil. As apostas foram realizadas na Polymarket, uma plataforma onde usuários podem apostar em eventos futuros.
A denúncia apresentada no tribunal federal de Manhattan detalha que Van Dyke participou do planejamento e execução de operações relacionadas à Venezuela. Promotores federais afirmam que ele fez 13 apostas sobre eventos ligados a Maduro e ao país, incluindo o momento e o resultado de possíveis ações para depor o líder venezuelano. Conforme informação divulgada pelas autoridades, o subtenente teria feito apostas até o dia 2 de janeiro, um dia antes da prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A matéria é baseada em informações divulgadas pelo The New York Times Company.
O Caso de Insider Trading em Mercados de Previsão
O caso contra Van Dyke representa uma das situações mais proeminentes envolvendo um funcionário do governo americano acusado de usar informação confidencial para obter ganhos financeiros em mercados de previsão. Esse tipo de atividade representa um risco à segurança nacional, levando a Casa Branca a emitir alertas ao corpo funcional para coibir o uso de informações privilegiadas para negociações, prática conhecida como “insider trading”. O alerta se intensificou em meio a um aumento de operações suspeitas relacionadas a conflitos internacionais.
Mercados de Previsão Sob Escrutínio Crescente
Empresas que operam mercados de previsão têm enfrentado um escrutínio cada vez maior nos últimos meses. Projetos de lei estão sendo analisados no Senado e na Câmara dos Deputados dos EUA com o objetivo de limitar o uso de plataformas como a Kalshi por autoridades públicas. Além disso, diversos estados americanos também estão considerando a implementação de regulamentações mais rigorosas para essas operações.
Jay Clayton, procurador dos EUA para o Distrito Sul de Nova York, enfatizou a gravidade da situação. Ele declarou que “Nossos homens e mulheres de farda recebem acesso a informações confidenciais para cumprir suas missões com a máxima segurança e eficiência possível, e lhes é proibido usar esse tipo de informação altamente sensível para ganho financeiro pessoal.” O presidente Donald Trump, questionado sobre o tema, expressou sua insatisfação com a natureza de cassino que, em sua visão, o mundo se tornou, e declarou “Nunca fui muito a favor disso. Não gosto conceitualmente.”
Polymarket e a Tentativa de Ocultar Ganhos
Em comunicado divulgado na quinta-feira, a Polymarket informou que implementou novas regras no mês anterior para intensificar o controle sobre o uso de informações privilegiadas. A plataforma declarou que, ao identificar qualquer usuário operando com base em informações confidenciais do governo, o caso é imediatamente encaminhado ao Departamento de Justiça, e a empresa coopera integralmente com as investigações.
Horas antes da captura de Maduro por tropas americanas em 3 de janeiro, foi noticiado que um usuário da Polymarket havia realizado uma aposta de US$ 32 mil, apostando que Maduro estaria fora do poder até o final de janeiro. Essa operação teria gerado um lucro superior a US$ 400 mil. As informações da Polymarket e os valores mencionados na denúncia indicam que as acusações contra Van Dyke estão diretamente ligadas a essa aposta.
De acordo com a acusação, o subtenente Van Dyke tentou ocultar os lucros obtidos, movimentando os recursos em diversas etapas. Inicialmente, os fundos foram transferidos para um cofre de criptomoedas no exterior, depois para uma conta pessoal de criptoativos e, finalmente, para uma conta recém-aberta em uma corretora. Após o surgimento de notícias sobre negociações suspeitas relacionadas à captura de Maduro, Van Dyke teria tentado apagar sua conta na Polymarket, alegando falsamente ter perdido o acesso ao e-mail associado ao cadastro.
Crimes e Próximos Passos Legais
A denúncia formaliza cinco crimes contra Van Dyke: uso ilegal de informação confidencial do governo para ganho pessoal, furto de informação não pública do governo, fraude em commodities, fraude eletrônica (wire fraud) e realização de transação financeira com recursos provenientes de atividade ilegal específica. O subtenente, militar da ativa desde 2008 e nas Forças Especiais desde 2023, assinou compromissos formais de sigilo sobre informações confidenciais, incluindo acordos relacionados a operações no Hemisfério Ocidental.
Van Dyke deveria ser apresentado a um juiz federal na Carolina do Norte, com a expectativa de ser transferido para Manhattan para responder ao processo. Até o momento, não foi possível identificar um advogado para comentar o caso em seu nome. A Polymarket vinha oferecendo, desde o final do ano passado, apostas sobre eventos envolvendo a Venezuela e Maduro, incluindo a possibilidade de “forças dos EUA na Venezuela” e a saída de Maduro do poder até determinadas datas, além de mercados sobre uma possível invasão dos EUA à Venezuela.

O Pra Quem Investe é um portal dedicado a transformar informação financeira em conhecimento acessível. Aqui, você encontra notícias, análises, insights e conteúdos educativos criados para ajudar investidores — iniciantes ou experientes — a entender o mercado, tomar decisões mais seguras e construir um futuro financeiro sólido. Nosso objetivo é simplificar o mundo dos investimentos e mostrar, na prática, como uma boa gestão financeira pode mudar vidas.







