Angelita Habr-Gama, Referência Mundial em Coloproctologia, Falece aos 93 Anos
A medicina brasileira perdeu uma de suas maiores expoentes. Neste sábado, 30, faleceu aos 93 anos, a médica e pesquisadora Angelita Habr-Gama, uma referência global em coloproctologia. Sua partida deixa um vazio imensurável na comunidade científica e médica.
Angelita Habr-Gama estava internada desde o dia 6 de maio no Hospital Alemão Oswaldo Cruz. A causa de sua morte não foi divulgada pela família ou pela instituição hospitalar, que lamentou profundamente o ocorrido.
A trajetória de Angelita Habr-Gama é marcada por superação, pioneirismo e uma paixão inabalável pela medicina. Sua contribuição para o avanço do tratamento do câncer colorretal, especialmente o protocolo “Watch and Wait”, é um marco que salvou e melhorou a qualidade de vida de inúmeros pacientes. Conforme informação divulgada pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a médica integrava o corpo clínico da instituição desde 1980, sendo motivo de grande orgulho para todos os colaboradores.
Uma Vida Dedicada à Ciência e à Superação
Nascida na Ilha de Marajó, no Pará, Angelita Habr-Gama mudou-se para São Paulo aos seis anos de idade. Sua jornada na medicina não foi fácil, enfrentando a resistência inicial de seu pai, que preferia que ela fosse professora. No entanto, sua determinação a levou a ingressar na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) em 1952, onde se destacou desde o início.
Ao decidir seguir a carreira de cirurgiã, Angelita enfrentou o preconceito de alguns professores. Ela relatou em entrevista que foi alertada sobre a escassez de vagas e a possibilidade de abandonar a profissão após o casamento e a maternidade. Contudo, ela não se intimidou e, em 1957, conquistou a primeira vaga na residência de cirurgia do Hospital das Clínicas da USP, tornando-se a primeira mulher a realizar residência em cirurgia na instituição.
Pioneirismo Internacional e Reconhecimento Global
Após a residência em cirurgia geral, Angelita Habr-Gama decidiu especializar-se em operações do intestino. Buscou um estágio no Hospital St. Marks, em Londres, referência mundial na área, mas também enfrentou barreiras por ser mulher. Com persistência e o apoio de cartas de professores brasileiros, ela foi aceita em 1962, tornando-se a primeira mulher admitida na instituição. “Eu insisti e em uma última carta escrevi: ‘Não se preocupem, pois vocês irão gostar de mim. Sou um tipo diferente do que vocês estão acostumados’

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