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Ouro em Queda Livre em 2026: BTG Revela Oportunidade de Ouro em Mineradoras Latino-Americanas com Potencial de Valorização de Até 100%

Ouro despenca 25% em 2026, mas BTG vê oportunidade em mineradoras com potencial de alta

O mercado de ouro tem surpreendido investidores em 2026. Após alcançar uma máxima histórica de US$ 5.595 por onça no final de janeiro, o metal precioso registrou uma forte queda de aproximadamente 25% até o início de junho, desafiando sua reputação como porto seguro.

Para o BTG Pactual, contudo, essa correção representa uma janela de oportunidade única. Analistas do banco acreditam que a desvalorização do ouro é técnica e temporária, criando um dos cenários mais atrativos dos últimos anos para investir em mineradoras de ouro na América Latina.

A análise do BTG Pactual, divulgada recentemente, aponta que, apesar da volatilidade recente, os fundamentos de longo prazo para o ouro permanecem sólidos. A instituição sugere que ações de mineradoras latino-americanas, que também sofreram quedas expressivas, estão agora negociando a múltiplos considerados atrativos, com potencial de valorização significativo.

O que derrubou o preço do ouro em 2026?

A principal força por trás da recente queda no preço do ouro foi a surpreendente resiliência da economia americana. Um relatório de emprego divulgado em 5 de junho nos Estados Unidos mostrou uma criação de vagas acima das expectativas do mercado, o que diminuiu as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed).

Essa notícia levou o ouro a registrar sua maior queda diária em mais de três meses, com os contratos futuros para agosto recuando 3,1% e encerrando o pregão a US$ 4.365 por onça-troy. Ao longo da semana, as perdas acumuladas chegaram a 5%.

A inflação persistente também contribui para esse cenário. O índice de preços ao consumidor (CPI) atingiu 4,2% em maio, e o núcleo do PCE, indicador preferido do Fed, permaneceu em 3,3%, ambos acima da meta de 2%. O índice de preços ao produtor (PPI) avançou 6,5%, reforçando os temores de que as taxas de juros elevadas permaneçam por mais tempo, o que historicamente prejudica o ouro por torná-lo menos competitivo frente a títulos públicos com retornos mais altos.

Adicionalmente, um fator técnico contribuiu para a correção. Fundos quantitativos e estratégias de momentum, que haviam construído posições compradas elevadas após o rali do início do ano, iniciaram liquidações quando o mercado mudou de direção, acelerando a queda do metal.

Fundamentos do ouro permanecem fortes, diz BTG

Apesar da desvalorização recente, o BTG Pactual mantém uma visão positiva para o ouro no longo prazo. A instituição destaca que o mercado de ouro tem passado por um processo crescente de “financialização”, com aproximadamente dois terços da demanda global vindo de investidores, enquanto o peso das joias diminuiu significativamente.

Esse fenômeno explica, em parte, por que o ouro tem apresentado, em certos momentos, um comportamento semelhante ao de ativos de risco, com maior volatilidade e correlação com outros mercados. No entanto, os fundamentos subjacentes permanecem robustos.

Bancos centrais continuam comprando ouro

Enquanto investidores financeiros podem reduzir sua exposição, os bancos centrais globais continuam a expandir suas reservas de ouro. No primeiro trimestre de 2026, as compras líquidas totalizaram 244 toneladas, superando a média histórica trimestral de 157 toneladas nos últimos 15 anos.

A China, por exemplo, completou 18 meses consecutivos de aquisições, intensificando suas compras justamente durante a queda dos preços. A Polônia também tem mantido um ritmo forte de acumulação de ouro em suas reservas internacionais.

O BTG ressalta que essa busca por diversificação das reservas internacionais por parte de muitos países emergentes, que ainda possuem participação do metal abaixo da média global de 28%, continua sustentando a demanda estrutural por ouro. Diante desse cenário, o banco projeta o preço do ouro em US$ 5.000 por onça em 2026 e US$ 4.900 em 2027.

Três mineradoras de ouro para aproveitar a oportunidade

Em vez de investir diretamente no metal, o BTG prefere a exposição através de ações de mineradoras de ouro, que sofreram quedas expressivas e agora negociam com múltiplos considerados atrativos. O banco selecionou três recomendações principais:

Aura Minerals (AUGO; AURA33): As ações da companhia acumulam queda de cerca de 39% desde as máximas recentes. O BTG destaca a consistência operacional da Aura Minerals, com múltiplos de 0,6 vez o valor líquido dos ativos (P/NAV) e 4,5 vezes EV/Ebitda projetado para 2026, oferecendo uma relação risco-retorno favorável. O preço-alvo é de US$ 122 por ação.

Buenaventura (BVN): A mineradora peruana recuou aproximadamente 21% de seus picos recentes. O BTG acredita que a entrada em operação da mina San Gabriel impulsionará a produção anual para cerca de 50 mil onças até o final de 2026, podendo superar 120 mil onças em 2027. Além disso, a participação da Buenaventura na Cerro Verde, uma das maiores produtoras de cobre do Peru, garante uma fonte adicional de receitas. O preço-alvo é de US$ 30 por ação.

Aris Mining (ARIS): Considerada a aposta mais agressiva, a Aris Mining acumula queda de cerca de 23% desde as máximas. As ações negociam a apenas 0,4 vez o valor líquido dos ativos, um desconto de aproximadamente 40% em relação à média das mineradoras latino-americanas. O BTG aponta que o mercado não reconhece o potencial dos projetos de expansão da empresa. O preço-alvo de US$ 37 representa um potencial de valorização superior a 100% sobre a cotação atual.

Como investir no Brasil

Para investidores brasileiros, o acesso a essas teses pode ser feito por meio de BDRs negociados na B3, ETFs ligados ao ouro, como o GOLB11, ou fundos de investimento com exposição ao setor de mineração. É importante lembrar que o desempenho final também dependerá do câmbio, pois o ouro é cotado em dólares.

Uma valorização do real pode reduzir os ganhos em moeda local, enquanto uma desvalorização tende a amplificá-los. Mesmo após a forte correção em 2026, o BTG avalia que os fundamentos de longo prazo para o ouro permanecem intactos, e as mineradoras latino-americanas oferecem uma oportunidade interessante para quem acredita na recuperação do metal nos próximos anos.

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