Copa de 2026: O Mundial Mais Poluente da História? Estudo Revela Impacto Climático Alarmante da FIFA
A Copa do Mundo de 2026 promete ser um marco na história do futebol, não apenas pelo número recorde de 48 seleções participantes, mas também pelo seu potencial impacto ambiental. Um estudo recente aponta que o torneio, distribuído em 16 cidades de três países-sede (Canadá, México e Estados Unidos), pode se tornar o mais poluente já realizado.
A pesquisa, intitulada “Fifa’s Climate Blind Spot: The Men’s World Cup in a Warming World”, foi conduzida pela Scientists for Global Responsibility (SGR) em parceria com outras organizações ambientais. A análise projeta que a Copa de 2026 pode gerar impressionantes 9 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono.
Para contextualizar, esse número é quase o dobro da média das emissões de Copas anteriores, que variou entre 2010 e 2022 em torno de 4,71 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados por diversas fontes, incluindo o estudo da SGR e avaliações da plataforma Greenly, que também aponta o evento como o mais poluente da história.
Expansão e Dispersão Geográfica: Os Maiores Vilões Climáticos
Os principais fatores que contribuem para este cenário preocupante são a expansão do número de seleções participantes e, crucialmente, a decisão de sediar o evento em três países distintos. A dispersão geográfica das cidades-sede aumenta drasticamente a necessidade de viagens aéreas, que se tornam a maior fonte de emissões de carbono.
O estudo da SGR estima que o transporte aéreo sozinho será responsável por cerca de 7 milhões de toneladas de emissões nesta edição, um salto significativo em comparação com a média de 1,82 milhão de toneladas das Copas de 2010 a 2022. Essa tendência de aumento nas emissões de voos deve se manter em futuras edições, mesmo com a redução de equipes.
David Gogishvili, pesquisador da Universidade de Lausanne, na Suíça, destaca que o transporte é um dos maiores contribuintes para a pegada de carbono de grandes eventos esportivos, especialmente quando há longas distâncias a serem percorridas e uma grande dispersão geográfica das sedes. Ele ressalta que, para as Copas do Mundo masculinas, alternativas de transporte sustentável para muitas viagens são escassas, tornando o transporte aéreo quase inevitável.
Especialistas Cobram Responsabilidade da FIFA e Ações Urgentes
Diante desses dados alarmantes, especialistas em mudanças climáticas pedem que a FIFA assuma uma responsabilidade maior sobre o impacto ambiental de seus eventos. Stuart Parkinson, da Scientists for Global Responsibility, enfatiza a necessidade de medidas imediatas para reduzir significativamente as emissões do torneio, dada a gravidade da crise climática.
Samran Ali, do Fundo de Defesa Ambiental, lembra que os custos climáticos não são abstratos e afetam comunidades já vulneráveis. Ele defende a necessidade de contabilidade transparente, cortes reais de emissões e parcerias que demonstrem uma ambição climática séria por parte da entidade máxima do futebol.
A FIFA, em novembro de 2021, durante a COP26, comprometeu-se com uma estratégia climática para as próximas duas décadas, visando reduzir as emissões de gases poluentes. O presidente da entidade, Gianni Infantino, afirmou o empenho em investir recursos para alcançar os objetivos do Quadro de Ação Climática do Esporte da UNFCCC.
Estratégia Climática da FIFA e Ceticismo dos Especialistas
A estratégia da FIFA se baseia em quatro pilares: educar profissionais do futebol sobre impactos climáticos, adaptar regulamentos para maior resiliência, reduzir emissões de carbono em linha com o Acordo de Paris e investir em proteção climática. Medidas como copos reutilizáveis e melhorias na eficiência energética de estádios podem ter efeitos positivos, mas são consideradas insuficientes por alguns especialistas.
David Gogishvili, da Universidade de Lausanne, expressa ceticismo quanto à eficácia dessas medidas isoladas. Ele argumenta que elas não compensam as emissões geradas pela aviação internacional e pela infraestrutura em larga escala necessária. Para ele, uma Copa do Mundo verdadeiramente alinhada às metas climáticas deveria partir de limites ambientais claros, em vez de depender apenas de medidas de eficiência.
Entre as recomendações para um torneio mais sustentável, Gogishvili sugere o uso de estádios e instalações já existentes, a definição de orçamentos claros de carbono e, fundamentalmente, a projeção do torneio em uma área geográfica mais compacta para reduzir a dependência do transporte aéreo. Essas ações seriam mais eficazes para mitigar o impacto climático de um evento de tamanha magnitude, como a Copa de 2026.

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