Mercados europeus registram perdas com setor de tecnologia em baixa e atenção voltada para o Oriente Médio.
As bolsas europeias encerraram o pregão desta terça-feira, 7, majoritariamente em queda. A pressão veio principalmente do setor de tecnologia, que sentiu o impacto do balanço da Samsung, desencadeando uma onda de vendas em ações ligadas à inteligência artificial (IA) globalmente. Paralelamente, a escalada das tensões no Estreito de Ormuz e novos indicadores econômicos da Alemanha e declarações de autoridades europeias também foram pontos de atenção para os investidores.
Em Londres, o FTSE 100 registrou uma queda de 0,13%, fechando em 10.665,88 pontos. Frankfurt viu seu índice DAX recuar 1,27%, atingindo 25.489,26 pontos. Paris, com o CAC 40, perdeu 0,51%, terminando em 8.436,24 pontos. Milão, com o FTSE MIB, apresentou uma queda de 0,95%, chegando a 52.455,44 pontos. Madri, por sua vez, teve uma leve desvalorização de 0,02% no Ibex 35, que fechou em 19.679,50 pontos. A exceção foi Lisboa, onde o PSI 20 avançou 0,35%, alcançando 9.249,11 pontos. As cotações mencionadas são preliminares.
No Reino Unido, o Banco da Inglaterra (BoE) emitiu um alerta sobre o aumento dos riscos à estabilidade financeira, citando a **maior alavancagem em ações ligadas à IA**. Foi justamente o setor de tecnologia que liderou as perdas, caindo 3,5% na esteira da pressão vinda da Ásia. Empresas como ASML (-7,4%), Infineon (-8,1%), STMicroelectronics (-7,7%), Siltronic (-11,5%) e BE Semiconductor (-6,7%) registraram quedas significativas.
Setor de luxo e energia oferecem respiro em meio a quedas generalizadas
Em Paris, o setor de luxo, com uma alta de 1%, conseguiu contrabalançar o mau humor do mercado de tecnologia, com ações como a da LVMH apresentando valorização de 1%. Os investidores também ponderaram a decisão da Justiça francesa que permitiu a Marine Le Pen disputar a eleição presidencial de 2027, sob a condição de usar tornozeleira eletrônica. Na bolsa, a **Shell avançou 3,2%** após projetar resultados mais fortes em sua divisão de gás. BP (+1,7%) e TotalEnergies (+1,3%) também se beneficiaram da alta do petróleo, impulsionada por relatos de **três novos ataques a navios no Estreito de Ormuz**.
Tensão em Ormuz e dados alemães influenciam o cenário global
Apesar do aumento das tensões no Oriente Médio, o setor de defesa europeu registrou uma queda de 2,3%, enquanto o mercado monitorava o início da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Ancara, Turquia. Em outra frente, a produção industrial da Alemanha apresentou um avanço de 0,9% em maio em comparação com abril, superando as expectativas do mercado. O ING avaliou que o resultado **”desafia os temores de recessão”**, embora tenha ressaltado que a recuperação da indústria alemã segue gradual. O dirigente do Banco Central Europeu (BCE), Fabio Panetta, comentou que as perspectivas para a zona do euro permanecem frágeis, defendendo cautela na condução da política monetária.
Inteligência Artificial em foco após alerta do Banco da Inglaterra
A preocupação com a inteligência artificial se intensificou após o alerta do Banco da Inglaterra sobre os riscos à estabilidade financeira. A forte queda em ações de empresas ligadas à IA reflete um receio do mercado em relação à valorização excessiva e à alavancagem nesse setor promissor, mas ainda volátil. A repercussão do balanço da Samsung serviu como um gatilho para a realização de lucros e uma reavaliação das posições em carteiras de investimento globais.
Investidores observam cenário geopolítico e dados macroeconômicos
O conflito em Ormuz adicionou uma camada de incerteza ao cenário econômico, com impacto direto nos preços do petróleo e nas empresas do setor energético. A expectativa agora se volta para os próximos desdobramentos diplomáticos e militares na região. No âmbito macroeconômico, os dados da produção industrial alemã oferecem um vislumbre de resiliência, mas as declarações de Fabio Panetta, do BCE, reforçam a necessidade de **cautela e monitoramento contínuo** da economia europeia, que ainda enfrenta desafios significativos para uma recuperação robusta.

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