Moura Dubeux (MDNE3) tem prévia do 2T26 e ação reage com queda de 5% no pregão, mas analistas destacam solidez operacional
As ações da Moura Dubeux (MDNE3), negociadas fora do Ibovespa, apresentaram uma queda de aproximadamente 5,5% no pregão desta terça-feira (7), cotadas a R$ 28,20. A movimentação ocorreu um dia após a divulgação da prévia operacional referente ao segundo trimestre de 2026 (2T26). Apesar do recuo no mercado, analistas do setor avaliam os indicadores como “sólidos”, reforçando a boa execução da companhia.
O desempenho das ações da Moura Dubeux contrasta com a performance geral do mercado, que operou em baixa no mesmo dia. Contudo, desde o início de janeiro, os papéis da incorporadora acumulam uma alta expressiva de 22%, demonstrando um desempenho positivo no ano. A prévia operacional do 2T26, divulgada pela empresa, trouxe dados que, apesar de algumas quedas em comparação com o ano anterior, mantiveram a confiança dos especialistas.
Conforme divulgado pela companhia, entre abril e junho, a Moura Dubeux lançou seis projetos, totalizando um Valor Geral de Vendas (VGV) bruto de R$ 1,03 bilhão e um VGV líquido de R$ 1,01 bilhão. Esses valores representaram quedas de 58,1% e 45,7%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2025. As vendas líquidas também recuaram quase 15% anualmente, atingindo perto de R$ 1,015 bilhão. A informação foi divulgada pela própria Moura Dubeux.
Desempenho Comercial Sólido em Condomínios
Caio Nabuco de Araujo, analista da Empiricus Research, destacou que, mesmo com a desaceleração anual nos lançamentos, os indicadores de vendas da Moura Dubeux permaneceram em níveis fortes. “De forma geral, a prévia reforçou o bom momento da Moura Dubeux, especialmente no segmento de condomínios, que segue apresentando boa performance no Nordeste”, escreveu ele em relatório. O nicho de condomínios foi responsável por cerca de dois terços do volume comercializado pela empresa no trimestre.
Araujo ressaltou que a absorção dos lançamentos foi “satisfatória”, com a velocidade de vendas (VSO) trimestral de 51,1% indicando boa receptividade dos imóveis. Ele pontuou que parte dos empreendimentos foi lançada no final do trimestre, o que significa que o indicador reflete um período de vendas mais curto. A Moura Dubeux também informou que os distratos atingiram 6,7% no trimestre, um leve aumento de 0,2 ponto percentual.
Geração de Caixa e Visão Positiva dos Analistas
Outro ponto de destaque para a Moura Dubeux foi a geração positiva de caixa de R$ 28 milhões entre abril e junho, revertendo um consumo de R$ 122 milhões no primeiro trimestre de 2026. Esse resultado foi impulsionado pela antecipação de R$ 153 milhões em recebíveis de taxas de comercialização de terrenos, uma operação inédita para a companhia, segundo a administração, envolvendo ativos já performados e de baixo risco. Araujo avalia que, negociada próxima de quatro vezes o lucro estimado para 2027, MDNE3 permanece entre as recomendações da Empiricus Research.
O Bradesco BBI também viu os números operacionais da Moura Dubeux como sólidos, elogiando a velocidade de vendas, especialmente em condomínios, o que “reforça a capacidade da companhia de manter boa execução comercial mesmo em um ambiente de juros elevados”. O banco mantém uma visão positiva, sustentada pelo bom momento operacional, liquidez das ações e valuation atrativo.
A equipe do BTG Pactual classificou a prévia como “sólida e em linha com as expectativas”, destacando o desempenho dos lançamentos em condomínios e o avanço da exposição da Moura Dubeux ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). O banco mantém recomendação de compra, com múltiplos preço/lucro (P/L) atrativos para 2027.

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