Ibovespa opera em baixa com exterior e tarifas de Trump no radar
O Ibovespa iniciou o pregão desta segunda-feira em território negativo, cotado a 189,3 mil pontos. A bolsa brasileira reflete os ajustes após ter alcançado novas máximas históricas na última sexta-feira, quando superou pela primeira vez os 190 mil pontos. A volatilidade é impulsionada pelas incertezas no cenário internacional, especialmente após o anúncio de novas tarifas pelo governo dos Estados Unidos.
As ações de grandes bancos registraram fortes quedas, contrastando com a alta nos papéis de Vale e Petrobras. No mercado de câmbio, o dólar comercial avançou, sendo negociado a R$ 5,18. A política comercial dos EUA, sob a administração de Donald Trump, continua sendo o principal foco dos investidores, com a recente decisão da Suprema Corte invalidando parte das tarifas anunciadas anteriormente, e a subsequente promessa de novas alíquotas.
No cenário doméstico, o Boletim Focus apresentou projeções mais otimistas para o IPCA e a Selic, enquanto a expectativa para o PIB deste ano foi elevada. A Suprema Corte dos EUA, na sexta-feira, determinou que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional não autoriza o presidente a impor tarifas, derrubando as medidas globais baseadas em emergências nacionais e déficits comerciais. Em resposta, Trump anunciou o aumento da alíquota global de 10% para 15%, gerando novas dúvidas sobre o futuro das relações comerciais internacionais, conforme informações de Reuters.
Novas Tarifas de Trump e a Reação Global
O presidente Donald Trump anunciou no sábado um aumento nas tarifas globais para 15%, após a Suprema Corte ter derrubado suas tarifas anteriores. Esta medida reacendeu a incerteza nos mercados globais, com especial atenção às perspectivas de inflação e crescimento econômico. A China, através do Ministério do Comércio, declarou que está avaliando a decisão da Suprema Corte e instou Washington a suspender as “medidas tarifárias unilaterais”, considerando a disputa “prejudicial”.
A União Europeia também reagiu, com a Bloomberg News informando que o bloco deve congelar a ratificação do acordo comercial com os EUA e solicitar mais detalhes sobre o novo programa tarifário. Zeljana Zovko, negociadora do Partido Popular Europeu, afirmou que a UE “não tem outra opção” a não ser adiar o processo de aprovação para buscar esclarecimentos, segundo a reportagem.
Impacto no Brasil e Análises de Especialistas
Especialistas apontam que o impacto líquido das novas medidas tarifárias pode ser positivo para o Brasil. O Bradesco destacou que, embora detalhes sobre a aplicação da tarifa global ainda sejam escassos, a agenda de poder de compra dos EUA deve continuar beneficiando exportações brasileiras de alimentos e fertilizantes. O petróleo, principal bem exportado pelo Brasil, continua isento das tarifas.
Leonardo Costa, economista do ASA, considera a decisão da Suprema Corte dos EUA “marginalmente positiva para o Brasil”, mas ressalta que o aumento da incerteza no comércio global pode diminuir os benefícios. Andressa Durão, também economista do ASA, avalia que o impacto na arrecadação e inflação não muda significativamente em relação ao esperado antes da decisão, mas a incerteza sobre o novo nível das tarifas e possíveis reembolsos gera dúvidas.
Movimentações Corporativas e Dados Econômicos
No âmbito corporativo, a Ultrapar (UGPA3) avalia a venda da Ipiranga, uma operação de grande magnitude. O Bradesco BBI estima o valor da venda entre R$ 25 e R$ 30 bilhões, com potenciais compradores como Total Energies e Aramco. A companhia aérea Azul anunciou sua saída do processo de reestruturação do Chapter 11 nos EUA, focando em “crescimento responsável”.
A Natura informou que chegou a um acordo para encerrar um caso envolvendo a Avon nos EUA mediante o pagamento de US$ 67 milhões. A Cosan está avaliando a realização de um IPO de sua controlada Compass Gás e Energia. No cenário macroeconômico, a FGV adiou a divulgação da Sondagem do Consumidor e do Índice de Preços ao Consumidor – Semanal, sem informar o motivo. O Boletim Focus trouxe projeções revisadas para o PIB, IPCA e Selic.
Mercados Internacionais em Alerta
Os mercados europeus abriram em baixa, acompanhando a tendência de cautela global. O índice Ifo da Alemanha, que mede o clima empresarial, e os dados de inflação da Itália serão divulgados hoje. Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, com exceção da Austrália, em meio à incerteza gerada pelas tarifas americanas. Os futuros dos EUA também operam em queda, refletindo as preocupações com a política comercial de Trump.
Em relação aos preços do petróleo, eles operam em baixa, com investidores ponderando as negociações sobre um acordo nuclear entre EUA e Irã. O petróleo WTI caiu 0,57% para US$ 66,10 o barril, enquanto o Brent recuou 0,59% para US$ 71,34 o barril.

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