Voltar

Greve na JBS: 3.800 trabalhadores de frigorífico de carne bovina nos EUA paralisam produção em meio a preços recordes

Greve na JBS: 3.800 trabalhadores de frigorífico de carne bovina nos EUA paralisam produção em meio a preços recordes

Cerca de 3.800 trabalhadores de um frigorífico da JBS (JBSS32) em Greeley, Colorado, planejam entrar em greve a partir de 16 de março. A paralisação, informada pelo sindicato dos trabalhadores nesta segunda-feira (9), promete impactar significativamente a produção em uma das maiores fábricas de carne bovina dos Estados Unidos.

O momento escolhido para a greve é particularmente sensível, pois os consumidores americanos enfrentam preços recordes de carne bovina. A força de trabalho da unidade, composta em grande parte por imigrantes, entra em confronto com a maior empresa de carne do mundo, forçando pecuaristas a buscarem instalações alternativas para o abate de seus animais.

Essa situação ocorre em um cenário de oferta de gado em seu menor nível em 75 anos nos EUA, o que eleva os preços da carne bovina a patamares históricos. Embora frigoríficos como a JBS se beneficiem dessa alta, eles também lidam com custos recordes para adquirir o gado para o abate. Conforme informação divulgada pelo sindicato United Food and Commercial Workers Local 7, “Embora os clientes estejam pagando mais do que nunca, nada disso está chegando aos trabalhadores da linha de frente que realmente fazem todo o trabalho pesado”.

Demanda por salários e condições de trabalho justas

Kim Cordova, presidente do sindicato United Food and Commercial Workers Local 7, que representa os trabalhadores em Greeley, afirmou que a JBS tem se envolvido em práticas trabalhistas desleais. Segundo ela, a empresa não negociou de forma justa um novo contrato nos últimos oito meses. Os trabalhadores reivindicam salários que acompanhem a inflação e o fim da cobrança pela reposição de equipamentos de proteção individual (EPIs) essenciais para a segurança no trabalho.

Em contrapartida, a JBS declarou que cumpre as leis trabalhistas e busca um acordo justo. A empresa também informou que cobra dos funcionários apenas os equipamentos de proteção individual que foram perdidos ou danificados intencionalmente. A JBS mantém sua proposta, que descreve como “sólida, justa e consistente com o contrato nacional histórico firmado em 2025”.

Impacto na produção e no mercado

No ano passado, trabalhadores sindicalizados de outras unidades da JBS ratificaram um contrato nacional inédito. No entanto, os trabalhadores de Greeley já possuíam alguns benefícios desse acordo, como licença médica, segundo Cordova. A JBS já está tomando medidas para mitigar os efeitos da paralisação, ajustando entregas de gado e cronogramas de processamento em Greeley. A produção está sendo transferida para outras instalações para atender às demandas dos clientes.

A empresa não realizou o abate de gado na planta na segunda-feira, e confinadores de gado relataram que a JBS cancelou o abate em Greeley para toda a semana. Um confinador informou que estava direcionando o gado para uma unidade da empresa em Cactus, Texas. Corbitt Wall, analista do mercado pecuário da DVAuction, comentou que há “muito mais espaço para abate do que gado pronto para o abate”, e que os pecuaristas “simplesmente os transferirão para outro lugar”.

Contexto do setor de carnes

A greve na JBS ocorre em um momento de desafios para o setor de processamento de carne. No início deste ano, a concorrente Tyson Foods fechou uma grande fábrica de carne bovina em Nebraska. A situação atual ressalta a complexidade das relações de trabalho na indústria de alimentos em meio a flutuações de mercado e pressões inflacionárias.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

REDES SOCIAIS

...

Pra Quem Investe: Descomplicamos o mundo dos investimentos para você sair da inércia e tomar decisões com confiança. Conheça nosso curso Dominando Investimentos e aprenda sobre CDB, LCI/LCA, CRI/CRA, fundos, ações e muito mais!

© 2025. Pra Quem Investe. Todos os direitos reservados.

Rolar para cima