Natura (NATU3) surpreende o mercado com alta nas ações após divulgar previsão de receita menor para o 2T26
As ações da Natura (NATU3) apresentaram uma forte valorização no pregão desta quarta-feira (8), contrariando as expectativas iniciais após a empresa divulgar dados preliminares do segundo trimestre de 2026 (2T26). A companhia de cosméticos antecipou uma potencial queda na receita líquida consolidada do período, mas o mercado reagiu de forma inesperada.
De acordo com a divulgação preliminar e não auditada, a receita líquida consolidada da Natura para o 2T26 é estimada entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões. Este valor representa uma redução anual entre 9% e 10%, um número que ficou cerca de 6% abaixo das projeções do JP Morgan e do consenso do mercado.
Apesar do cenário de queda na receita, as ações da Natura chegaram a subir mais de 6% no pico do pregão. Por volta das 12h50, os papéis avançavam 4,10%, cotados a R$ 8,38. Essa movimentação positiva ocorre em um contexto onde o JP Morgan, um dos principais analistas da empresa, reiterou sua recomendação de compra, embora tenha acendido um alerta sobre os riscos.
JP Morgan mantém recomendação de compra, mas aponta riscos relevantes
Apesar da performance aquém do esperado na receita, o banco JP Morgan manteve sua recomendação de Overweight (equivalente à compra) para as ações da Natura (NATU3). A decisão é sustentada pelas perspectivas de forte geração de caixa livre, com um FCF yield de 13%, mesmo diante dos resultados fracos no curto prazo.
No entanto, a equipe de analistas do JP Morgan, liderada por Joseph Giordano, ressalta que os riscos de revisão para baixo das expectativas permanecem relevantes. A forte frustração na receita e a falta de clareza sobre a resolução de problemas operacionais, como a falta de produtos e a implementação do sistema SAP, são pontos de atenção.
Os analistas destacam que a posição vendida nas ações (short interest) e o custo para aluguel dos papéis seguem elevados. Isso pode estar contribuindo para algum movimento de recompra de posições vendidas (short covering), o que explicaria parte da alta observada.
O que está impactando a Natura (NATU3) neste trimestre?
A Natura atribui a pressão sobre os resultados do 2T26 a cinco principais fatores. O primeiro deles é a escassez de produtos, decorrente da estabilização do novo sistema de planejamento integrado (SAP), da realocação de volumes da recém-fechada fábrica de Interlagos e da própria implementação do sistema.
Essa escassez, combinada a um cenário macroeconômico desafiador, resultou em uma queda importante de volume no canal de venda por relações. A companhia observa uma redução na atividade e produtividade das consultoras, que não foi totalmente compensada pela recuperação observada na comparação trimestral.
Outros fatores mencionados incluem a implementação de novas políticas de preços e regras comerciais, que desaceleraram o canal online, e a transição de 100% dos contratos de franquia para um novo modelo. Essa transição gerou uma redução momentânea de estoques nas lojas franqueadas e, consequentemente, uma desaceleração nas vendas para essas unidades.
Por fim, a Natura aponta um descasamento temporário de tributos, com efeito concentrado no segundo trimestre do ano, como mais um elemento que impactou negativamente os resultados. A empresa já anunciou reconfigurações na cadeia de abastecimento e ajustes nos incentivos da força de vendas para mitigar esses efeitos.
Esforços para recuperação e perspectivas futuras da Natura
Em resposta aos desafios, a Natura tem implementado diversas iniciativas para impulsionar o desempenho da receita no Brasil. Entre elas, destacam-se a reconfiguração da cadeia de suprimentos (supply chain), ajustes nos incentivos da força de vendas e novos formatos de vendas digitais.
A empresa também foca na expansão para novos marketplaces e na aceleração da nova loja digital das consultoras. Além disso, a retomada do ritmo acelerado de abertura de lojas, com novas franquias já operando sob o novo modelo de contrato, é vista como um ponto positivo para o futuro.
O JP Morgan, apesar das preocupações, vê a Natura negociando a múltiplos atrativos, como 8,5 vezes e 6,5 vezes o lucro projetado para 2026 e 2027, respectivamente. A expectativa de mudanças estratégicas com a entrada da Advent no conselho também pode influenciar os rumos da companhia.
A divulgação completa dos resultados do segundo trimestre de 2026 da Natura está prevista para o dia 10 de agosto, quando mais detalhes sobre a performance da empresa serão apresentados ao mercado.

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