União Europeia detecta transgênicos não aprovados em farelo de soja da Argentina e do Brasil, gerando contestações e apreensão no mercado.
A Holanda sinalizou a presença de organismos geneticamente modificados (OGMs) não autorizados em carregamentos de farelo de soja provenientes da Argentina e do Brasil. Essa detecção levou à retirada de ao menos três lotes do mercado europeu, intensificando o debate sobre a conformidade dos produtos com as regulamentações da União Europeia.
A situação levanta questões importantes sobre os rigorosos padrões de segurança alimentar e de ração animal da UE, além de poder influenciar a demanda por fornecedores alternativos, como os Estados Unidos e a Ucrânia. A Argentina, principal exportadora de farelo de soja para o bloco, já expressou preocupações sobre os métodos de teste utilizados pelas autoridades holandesas.
Segundo informações do Sistema de Alerta Rápido da Comissão Europeia para Alimentos e Rações, foram registradas quatro notificações de “OGM não aprovado em farelo de soja da Argentina” este ano. Além disso, o sistema apontou dois carregamentos de OGMs proibidos vindos do Brasil. O Brasil lidera o fornecimento de farelo de soja para a UE, seguido de perto pela Argentina.
Retiradas e contestações no mercado europeu
As respostas às detecções variaram. Lotes argentinos notificados em março e abril, assim como um carregamento brasileiro de fevereiro, foram retirados do mercado. Outros dois casos, um argentino de abril e um brasileiro de abril, levaram à notificação das autoridades competentes. Um alerta mais recente da Argentina, de segunda-feira, ainda aguarda medidas.
O Ministério da Agricultura da Argentina comunicou à Reuters ter levantado “sérias” preocupações sobre o método de detecção holandês, especialmente em relação à detecção de eventos HB4 em remessas de farelo de soja. A cepa HB4, desenvolvida pela empresa argentina Bioceres, é geneticamente modificada e não possui autorização para uso na União Europeia.
Debate sobre a precisão dos testes de OGM
Gustavo Idigoras, presidente da câmara de esmagadores e exportadores de grãos da Argentina (CIARA-CEC), sugeriu que o método de detecção empregado pelas autoridades holandesas pode ter gerado resultados falsos positivos. “Não é o método patenteado pela Bioceres e, portanto, pode gerar o que chamamos de ‘falsos positivos’, ou seja, detecções errôneas”, afirmou Idigoras, indicando que acredita ser essa a causa dos recentes incidentes na Europa.
A Holanda é um ponto crucial para a entrada de importações de ração na UE. As cargas argentinas sinalizadas tinham como destino principal Bélgica, Alemanha e República Tcheca, enquanto as brasileiras eram direcionadas à França, Itália e Luxemburgo. Os alertas não especificaram os volumes exatos das cargas nem o tipo exato de OGM detectado.
Impacto nas exportações e no mercado global de farelo de soja
Em 2024/25, a UE importou 9,9 milhões de toneladas métricas de farelo de soja brasileiro e 6,9 milhões de toneladas do farelo de soja argentino. Esses números colocam os dois países sul-americanos muito à frente da Ucrânia, o terceiro maior fornecedor, com 930.000 toneladas. A questão dos OGMs é particularmente sensível na Europa, onde, apesar de permitir ração transgênica aprovada, certas características de soja tolerante à seca, amplamente cultivada na Argentina, permanecem proibidas.
Em meados de abril, os preços futuros do farelo de soja nos Estados Unidos atingiram o maior nível desde outubro de 2024. Contudo, não ficou claro se essa alta esteve diretamente ligada às retiradas de lotes ou ao aumento geral dos preços da soja, matéria-prima importante também para biocombustíveis, que tem sido influenciada pela valorização do petróleo no cenário geopolítico atual.

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