China usa entregas da Airbus como moeda de troca para pressionar Europa por aviões Comac
A China decidiu adiar a aprovação das entregas de aeronaves da Airbus, em uma clara demonstração de impaciência com a lentidão dos reguladores europeus em certificar os aviões Comac, fabricados na própria China. A informação foi divulgada pela Bloomberg News, citando fontes com conhecimento do assunto.
A Administração de Aviação Civil da China (CAAC) tem protelado a autorização final que permitiria que os jatos da Airbus entrassem no mercado chinês e fossem colocados em serviço nos últimos meses. Essa medida impacta diretamente a fabricante europeia, que já registrou em seu primeiro trimestre o menor número de entregas comerciais desde 2009.
O presidente-executivo da Airbus, Guillaume Faury, chegou a mencionar em abril que o atraso se devia a uma “questão administrativa” que impedia a entrega de quase 20 aeronaves destinadas à China. Na época, ele indicou que o problema seria resolvido e as entregas ocorreriam no segundo trimestre. No entanto, o diretor financeiro Thomas Toepfer revelou que a empresa acumulou cerca de 5 bilhões de euros (aproximadamente US$ 5,82 bilhões) em estoques no trimestre, com a interrupção das entregas na China sendo o principal fator. Os aviões estavam construídos e prontos, mas não puderam ser entregues.
A expectativa europeia pela certificação do C919
A situação se desenrola em um contexto onde a Agência Europeia de Segurança da Aviação (EASA) está avaliando o avião C919, fabricado pela Comac. A certificação pela EASA seria um marco significativo, pois permitiria à fabricante chinesa comercializar o jato para companhias aéreas ocidentais pela primeira vez. Atualmente, as companhias aéreas europeias e outras ocidentais não podem operar com os jatos da Comac.
Em comunicado, a EASA informou que o trabalho de validação do C919 está “progredindo com a total cooperação da Comac e da CAAC”. Contudo, a agência não comentou sobre o cronograma previsto para a conclusão do projeto de validação, mantendo a incerteza sobre quando a certificação será concedida.
A disputa comercial e o futuro da aviação
A certificação de segurança da EASA é crucial para a expansão global da Comac, pois o C919 compete diretamente com modelos populares como o A320 da Airbus e o 737 da Boeing. A decisão da China de adiar as entregas da Airbus parece ser uma tática para acelerar esse processo de certificação europeu, evidenciando a crescente rivalidade no setor aeronáutico.
A complexidade das negociações e as pressões políticas refletem a importância estratégica do mercado aeronáutico chinês e a ambição da China em se tornar um player global na fabricação de aviões. A resolução deste impasse terá implicações significativas para o futuro da Airbus, da Boeing e da própria Comac.

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