Datafolha aponta que visão de que pobreza é resultado de preguiça cresce e atinge 40% dos brasileiros
Uma nova pesquisa do Datafolha revela uma mudança significativa na percepção da pobreza entre os brasileiros. Em apenas quatro anos, quase dobrou o número de pessoas que associam a condição de pobreza à ‘preguiça de pessoas que não querem trabalhar’. Este dado, divulgado recentemente, aponta para um aumento preocupante na atribuição de culpa ao indivíduo.
O percentual que liga a pobreza à falta de esforço saltou de 22%, em 2022, para alarmantes 40% em 2026. Este é o maior índice registrado na série histórica da pesquisa, indicando uma tendência crescente nesta linha de pensamento que ignora fatores estruturais.
Apesar desse aumento, a visão de que a pobreza está mais ligada à falta de oportunidades iguais para o progito social ainda se mantém como maioria. Contudo, essa perspectiva também sofreu uma queda considerável, passando de 76% para 58%, conforme os dados coletados. A pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 18 de junho, ouvindo 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios, e faz parte de um eixo de comportamento da matriz ideológica.
Pobreza e Preguiça: Uma Associação que Cresce em Diversos Segmentos
A pesquisa do Datafolha detalha como essa associação entre pobreza e preguiça se manifesta em diferentes faixas de renda e ocupações. Interessantemente, a faixa de renda de até dois salários mínimos reflete as mesmas porcentagens do total da amostra. Já entre aqueles que ganham de dois a cinco salários mínimos, o percentual que liga a pobreza à preguiça sobe para 43%.
Por outro lado, a visão de que a pobreza é resultado da falta de oportunidades encontra seu maior percentual entre pessoas com renda familiar superior a dez salários mínimos, onde 63% concordam com essa afirmação. Isso sugere uma desconexão entre as experiências de renda mais alta e a realidade enfrentada por aqueles em situação de vulnerabilidade.
Empresários Lideram Opinião de que Preguiça Causa Pobreza
No recorte por ocupação econômica, os empresários apresentam o maior índice de associação entre pobreza e preguiça, com 56% deles compartilhando essa visão. Este é o valor mais elevado entre todas as ocupações analisadas na pesquisa, indicando uma forte crença na responsabilidade individual.
Em contraste, a menor fatia que associa a pobreza à preguiça é encontrada entre os funcionários públicos, com 28%. Essa diferença ressalta como a percepção sobre as causas da pobreza pode variar significativamente dependendo da inserção profissional e das experiências de vida.
Divisões Políticas e a Percepção da Pobreza
As diferenças de opinião sobre as causas da pobreza também se acentuam quando analisadas pelo eleitorado. Entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 28% associam a pobreza à preguiça, enquanto 70% atribuem à falta de oportunidades. Já no eleitorado de Flávio Bolsonaro (PL), os números são invertidos, com 52% ligando a pobreza à preguiça e 44% à falta de oportunidades.
Essa divisão reflete as distintas visões ideológicas sobre o papel do Estado e do indivíduo na superação da pobreza. A pesquisa completa, que abrange dez temas como armas, migração e pena de morte, oferece um panorama complexo do comportamento social e das crenças dos brasileiros.

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