Citi muda recomendação para Magazine Luiza e vê cenário mais favorável para ações
Analistas do Citi revisaram a recomendação para as ações do Magazine Luiza, passando de ‘venda/alto risco’ para ‘neutra/alto risco’. A mudança reflete uma percepção de que a relação entre risco e retorno se tornou mais equilibrada para a varejista.
Com os papéis da empresa registrando uma queda de aproximadamente 40% no acumulado do ano, o Citi acredita que o mercado já precificou significativamente o cenário de juros altos por um período prolongado e a consequente desaceleração do consumo em categorias chave.
A análise do banco destaca que fatores como a forte concorrência no e-commerce e o custo da dívida em alta ainda representam desafios, mas aponta para desenvolvimentos operacionais positivos que justificam a revisão da recomendação. As informações foram divulgadas em relatório enviado a clientes na quinta-feira (5).
Desdobramentos Operacionais Positivos em Destaque
O Citi ressalta dois pontos cruciais que contribuem para a visão mais otimista. O primeiro é o redirecionamento estratégico do Magazine Luiza para suas lojas físicas, conhecidas como B&M (Bens e Materiais). Essa aposta visa explorar a vantagem competitiva já estabelecida da empresa nesse canal, que historicamente apresenta margens maiores.
O segundo ponto de atenção é a disciplina nos gastos operacionais. Os analistas observaram que as despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) cresceram abaixo da inflação em 10 dos últimos 13 trimestres. Essa consistência no controle de despesas (opex) demonstra uma gestão financeira eficiente por parte da companhia.
Desafios Persistem no E-commerce e Alavancagem
Apesar dos avanços, a equipe do Citi não ignora os obstáculos que ainda se apresentam. O cenário do e-commerce continua acirrado, com a concorrência intensificando-se cada vez mais. Além disso, o nível de alavancagem da empresa é visto como um ponto de atenção, especialmente em um ambiente onde o custo da dívida se mantém elevado.
Esses fatores levaram a uma revisão nas projeções de lucro para os próximos anos. A previsão para 2026 foi reduzida de R$273 milhões para R$113 milhões, e para 2027, de R$552 milhões para R$425 milhões. Consequentemente, o preço-alvo das ações foi ajustado de R$7 para R$6,50.
Reação do Mercado e Perspectiva para as Ações
No pregão da bolsa paulista, as ações do Magazine Luiza (MGLU3) apresentaram uma valorização de 2,25% por volta das 12h10, negociadas a R$5,46. Contudo, é importante notar que, apesar dessa recuperação pontual, os papéis ainda acumulam uma desvalorização expressiva de mais de 38% no ano.
A mudança de recomendação do Citi sugere que, embora os ventos contrários ainda existam, a atual precificação das ações pode estar mais alinhada com os fundamentos da empresa e os desafios do cenário macroeconômico, abrindo espaço para uma avaliação mais equilibrada de risco e retorno para investidores.

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