Citigroup registra o melhor trimestre em uma década impulsionado por forte desempenho em renda fixa e ações.
Traders do Citigroup navegaram com sucesso em um cenário de alta volatilidade, impulsionando o banco de Wall Street à sua maior receita trimestral em dez anos. Este resultado representa um avanço significativo no plano de reestruturação liderado pela presidente-executiva Jane Fraser, que busca reposicionar o banco entre os líderes do mercado financeiro.
A área de renda fixa, a segunda maior do setor em Wall Street, apresentou um salto de 13% em relação ao ano anterior, gerando uma receita de US$ 5,2 bilhões no primeiro trimestre. Paralelamente, a divisão de ações, embora menor, alcançou um recorde de US$ 2,1 bilhões, com um expressivo aumento de 39%. Juntas, essas equipes proporcionaram ao Citigroup sua maior receita trimestral de trading desde pelo menos a crise financeira de 2008.
Conforme informação divulgada pelo Citigroup, o banco também reportou o maior retorno trimestral sobre o patrimônio líquido tangível em cinco anos. Além disso, a instituição está próxima de concluir cerca de 90% dos programas voltados para a resolução de problemas de backoffice e de reportes regulatórios, que têm sido alvo de penalidades por parte dos reguladores bancários desde 2020.
Um marco para a gestão de Jane Fraser
Os resultados representam mais um marco importante para Jane Fraser, cujo banco, o Citigroup, tem sido historicamente um dos lanternas entre as grandes instituições financeiras de Wall Street. As ações do Citigroup apresentaram valorização de 1,2% no pregão de segunda-feira, posicionando-se como o segundo melhor desempenho no índice bancário KBW.
“Começamos 2026 de forma excepcionalmente forte”, declarou Fraser em comunicado oficial. A liderança de Fraser tem sido fundamental para as recentes melhorias de performance do banco.
Desempenho misto na divisão de banco de investimento
A divisão de banco de investimento do Citigroup, sob a liderança de Vis Raghavan, foi a única das cinco unidades do grupo que não apresentou alavancagem operacional positiva. As receitas provenientes de taxas (fees) aumentaram 12% em comparação com o ano anterior, totalizando US$ 1,23 bilhão, um valor ligeiramente abaixo da estimativa média de US$ 1,27 bilhão dos analistas consultados pela Bloomberg.
Este desempenho ocorreu após um quarto trimestre anterior considerado explosivo, no qual as receitas com assessoria em fusões e aquisições registraram um forte crescimento. O diretor financeiro (CFO), Gonzalo Luchetti, comentou em teleconferência com jornalistas que o banco de investimento teve um mês muito sólido e que o pipeline de operações está “muito ativo”, apesar dos riscos potenciais associados à incerteza geopolítica, como a guerra no Irã.
Lucro líquido e retorno sobre o patrimônio disparam
No consolidado, o lucro líquido do Citigroup aumentou expressivos 42%, alcançando US$ 5,8 bilhões, o que equivale a US$ 3,06 por ação. Este resultado superou a estimativa média dos analistas, que projetavam US$ 2,66 por ação. A receita total de US$ 24,6 bilhões também ficou acima das projeções de Wall Street, sinalizando uma recuperação robusta.
O banco planeja realizar um Investor Day no início de maio, onde se espera uma atualização das metas financeiras. Anteriormente, o Citigroup havia projetado um retorno sobre o patrimônio líquido tangível, um indicador chave de rentabilidade, entre 10% e 11% para o ano corrente. No primeiro trimestre, essa métrica atingiu 13,1%, um avanço significativo em comparação com os 9,1% registrados um ano antes.
Custos em alta e recompra de ações
Apesar dos resultados positivos, o Citigroup enfrenta um aumento nos custos operacionais, com despesas avançando 7% em relação ao ano anterior. Para mitigar esses custos e retornar valor aos acionistas, a companhia informou ter recomprado US$ 6,3 bilhões em ações no primeiro trimestre.
A expectativa, segundo apresentações da própria instituição, é que as recompras de ações sejam ainda maiores neste ano do que em 2025. Esse movimento reforça a confiança da gestão na solidez financeira do banco e em suas perspectivas futuras.
Comparativo com rivais e expansão em outras áreas
Os números de renda fixa do Citigroup contrastam fortemente com os do Goldman Sachs, que viu sua receita cair 10% no mesmo período, ficando abaixo das estimativas de Wall Street. Essa diferença destaca a força do Citigroup em um segmento crucial do mercado financeiro.
A receita da divisão de cartões de crédito para o consumidor, agora uma unidade separada, cresceu 4%, impulsionada pelo aumento nos gastos dos clientes e pela maior abertura de novas contas. No entanto, o banco elevou a provisão para perdas com crédito, citando a “incerteza crescente no cenário macroeconômico” como fator de cautela.
A unidade de serviços do Citigroup, um gigante global na movimentação de recursos para empresas e governos, registrou um salto de 17% na receita do primeiro trimestre, alcançando US$ 6,1 bilhões. O negócio de gestão de fortunas (wealth management), que agora engloba o banco de varejo, apresentou alta de 11% nas receitas, demonstrando diversificação e crescimento em múltiplos segmentos de atuação.

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