Decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas pode ter impacto duradouro, indicam dados históricos
A recente decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas promete ter consequências de longa duração. Uma análise do Valor Econômico sobre a lista mantida pelo Departamento de Estado revela que grupos retirados dessa designação permaneceram, em média, 13 anos sob essa classificação.
Essa medida, anunciada pelo governo Donald Trump e com validade a partir de 5 de junho, insere as duas maiores facções criminosas do Brasil em um mecanismo americano criado em 1997. O objetivo desse mecanismo é identificar organizações consideradas ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos, com um histórico de dificuldade em serem removidas da lista.
Os dados históricos sobre a lista de organizações terroristas estrangeiras dos EUA indicam que a remoção é um processo complexo e demorado. Desde a criação do mecanismo, apenas 24 organizações perderam essa classificação, com alguns casos levando décadas. Conforme informação divulgada pelo Valor Econômico, exemplos extremos como o grupo separatista basco ETA e a seita japonesa Aum Shinrikyo permaneceram cerca de 24 anos e meio na lista antes de serem removidos, entre 1997 e 2022.
A lista de terrorismo dos EUA e sua longevidade
A lista original, estabelecida em 1997, continha 28 organizações. Quase trinta anos depois, 13 delas ainda figuram como terroristas para o governo americano. Entre os grupos que permanecem na relação estão o Hamas, o Hezbollah e o Sendero Luminoso, do Peru, e o Exército de Libertação Nacional (ELN), da Colômbia.
Atualmente, o Departamento de Estado dos EUA mantém 94 organizações classificadas como terroristas estrangeiras. Com a inclusão do PCC e do Comando Vermelho, esse número aumentará significativamente. A expansão dessa lista tem sido uma estratégia acelerada, especialmente durante a gestão de Donald Trump, que adicionou 27 grupos à lista.
Divergências entre Brasil e EUA sobre a classificação
A classificação das facções brasileiras como terroristas ocorre em meio a meses de divergência entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos. Washington argumenta que o PCC e o CV representam ameaças à segurança regional, enquanto o governo brasileiro, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, sustenta que as organizações não se encaixam na definição de terrorismo da legislação nacional, pois atuam com fins econômicos e não ideológicos.
Durante sua visita à Casa Branca, o presidente Lula buscou intensificar a cooperação policial e financeira contra as facções, focando em combate à lavagem de dinheiro, tráfico internacional e redes de contrabando. Paralelamente, o senador Flávio Bolsonaro se reuniu com Donald Trump, defendendo pessoalmente a inclusão das facções na lista de organizações terroristas estrangeiras.
Estratégia americana contra organizações criminosas transnacionais
A política dos Estados Unidos de utilizar instrumentos antiterrorismo contra organizações criminosas transnacionais, especialmente na América Latina, tem se intensificado. A inclusão do PCC e do Comando Vermelho reflete essa estratégia mais ampla da administração republicana de combater grupos que operam além das fronteiras nacionais e representam riscos para a segurança americana e regional.
A dificuldade histórica em remover grupos da lista de terrorismo sugere que o PCC e o Comando Vermelho podem permanecer sob essa designação por muitos anos. Isso pode impactar futuras relações diplomáticas, cooperação em segurança e medidas de combate ao crime organizado entre o Brasil e os Estados Unidos, especialmente no que tange às ações e finanças dessas facções.

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