Compass (PASS3) Pronto para Estreia na B3: O Fim do Jejum de IPOs e o Futuro do Gás Natural no Brasil
Após quase cinco anos sem grandes listagens, a Bolsa brasileira se prepara para um marco: a estreia da Compass, subsidiária da Cosan, com seu Oferta Pública Inicial (IPO). A precificação das ações está marcada para esta quinta-feira (7), com as negociações sob o ticker PASS3 iniciando na próxima segunda-feira (11).
A operação, que pode movimentar cerca de R$ 2,9 bilhões, busca capturar o interesse de investidores em um setor promissor e com forte potencial de crescimento. A demanda pela oferta, segundo apurações, já demonstra um apetite considerável, com forte participação de investidores estrangeiros, sinalizando um cenário positivo para a retomada do mercado de capitais no país.
A Compass chega ao mercado com uma proposta de valor que une a segurança de ativos de infraestrutura regulados com a aposta na expansão do mercado livre de gás natural. Essa dualidade é vista por analistas como um dos principais atrativos, combinando a previsibilidade de receitas com a força de um setor em franca transformação. Conforme informações divulgadas, a operação é 100% secundária, com os recursos direcionados aos acionistas vendedores.
A Tese de Investimento: Previsibilidade e Crescimento no Setor de Gás
A estratégia da Compass, apresentada em seu material de roadshow, foca em uma combinação de “yield, crescimento e retorno”, apoiada por uma “disciplina na alocação de capital”. A companhia se posiciona como um player estratégico para liderar a abertura do mercado de gás no Brasil, um setor que passou por significativas mudanças regulatórias com o Novo Marco do Gás.
A estrutura da Compass engloba ativos maduros de distribuição, como a Comgás, e a Edge, braço voltado para a comercialização de gás natural, biometano e gás natural liquefeito (GNL). Atualmente, a empresa atua em sete distribuidoras e representa cerca de 40% do consumo de gás canalizado e mais de 68% dos clientes conectados à rede nacional, segundo informações da companhia.
O Novo Marco do Gás e o Papel da Edge
A aprovação do Novo Marco do Gás em 2021 é vista como um divisor de águas para o setor. Essa mudança regulatória reduziu a dominância da Petrobras e abriu espaço para novos entrantes na comercialização, suprimento e infraestrutura de gás natural. É nesse cenário que a Edge se destaca, sendo considerada pela Compass como uma das principais avenidas de crescimento.
A divisão Edge já detém uma participação estimada de cerca de 25% no mercado livre de gás e apresenta um crescimento acelerado. Relatórios indicam que o volume comercializado pela Edge mais do que dobrou entre 2024 e 2025, com demanda contratada superior a 4,6 milhões de metros cúbicos por dia. Essa performance reforça a aposta da Compass na expansão deste segmento.
Ativos Estratégicos e Potencial de Valorização
O Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), localizado no Porto de Santos, é outro ativo de destaque. Com capacidade para 14 milhões de metros cúbicos por dia, o terminal representa aproximadamente um quarto do consumo nacional de gás natural, conferindo à Compass uma posição logística privilegiada.
No lado mais defensivo, a Comgás e as distribuidoras controladas pela Commit operam sob concessão, garantindo receitas mais previsíveis e barreiras de entrada significativas. A companhia possui um robusto pipeline de crescimento orgânico contratado até 2049, com planos de expandir a rede em 13,2 mil quilômetros e aumentar a base de clientes da Comgás em 71%. A EQI Research projeta receita líquida consolidada de R$ 20,6 bilhões em 2026, chegando a R$ 24,6 bilhões em 2028, com lucro líquido estimado de R$ 1,33 bilhão em 2026 para R$ 2,4 bilhões em 2028.
Pontos de Atenção para Investidores
Apesar do cenário otimista, alguns pontos merecem atenção. A alavancagem é um deles, pois o ambicioso plano de expansão exigirá investimentos vultosos, elevando o risco de execução do CAPEX e potencial pressão sobre o endividamento. Além disso, o risco regulatório, embora mitigado pelo discurso de estabilidade, ainda paira no horizonte, especialmente em relação às regras de concessão e futuras revisões tarifárias.
Outro fator observado é o baixo free float inicial, com cerca de 15,3% das ações em circulação após a oferta base. Mesmo com esses pontos, a percepção geral é de que o IPO da Compass ocorre em um momento favorável para ativos de infraestrutura e transição energética. A EQI Research estima um valor justo para a Compass entre R$ 42 e R$ 44 por ação, acima da faixa indicativa do IPO, o que representaria um potencial de valorização de 20% a 57%.

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