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ToggleCongresso mais à direita aumenta dependência de Lula do Centrão no 4º mandato, exigindo maior articulação e concessões.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá um cenário desafiador em seu quarto mandato. O Congresso Nacional se mostra ainda mais conservador, o que demandará uma **articulação intensificada com o Centrão** para a aprovação de pautas governistas.
A composição atual do Congresso reflete um avanço significativo de partidos de direita. O Partido Liberal (PL), por exemplo, elegeu um número recorde de deputados federais, tornando-se a maior bancada da Câmara dos Deputados. No Senado, a força da direita também se consolidou, com a maior bancada da Casa.
Essa configuração política obriga o governo a estratégias de negociação mais complexas, semelhantes às já empregadas em mandatos anteriores, mas com a necessidade de **concessões ainda maiores**. A disputa pelas presidências da Câmara e do Senado também se configura como um ponto crucial para a governabilidade.
Conforme aponta Luciana Veiga, professora da Fundação Getúulio Vargas (FGV), o grau de concessão que Lula precisará fazer é **significativamente maior** do que o que seria exigido de um presidente com um alinhamento ideológico mais próximo ao do Congresso. “A gente sai das urnas do primeiro turno com o Congresso mais conservador. Então, essa é a cara do Brasil que sai das urnas”, afirma Veiga.
Fortalecimento da Direita no Congresso
O Partido Liberal (PL) registrou um feito histórico ao eleger **121 deputados federais**, o que representa um quarto das cadeiras da Câmara. Em 1990, o PMDB elegeu 109 parlamentares, um número inferior ao alcançado pelo PL. No Senado, o partido contará com 28 integrantes, formando a **maior bancada da Casa**.
Em contrapartida, partidos de esquerda elegeram 124 deputados e 16 senadores. Esse cenário é considerado ainda mais desfavorável para Lula do que o enfrentado em seu terceiro mandato, quando o presidente já precisou ceder ministérios a partidos do Centrão para ampliar sua base de apoio, mas ainda assim sofreu derrotas importantes.
A necessidade de distribuir cargos e ministérios para partidos que se distanciam da ideologia original do governo pode **comprometer o plano de governo original** de Lula, segundo Luciana Veiga. “É claro que é saudável distribuir ministérios para partidos da base aliada, mas ministérios para partidos que ficam muito distantes da sua ideologia começam a comprometer mais o seu plano de governo original”, explica a professora.
Governabilidade e Estratégias de Negociação
O cientista político Carlos Ranulfo, no entanto, minimiza o impacto do Congresso mais à direita sobre a governabilidade de Lula. Ele lembra que o presidente já enfrentou um Parlamento hostil em seu terceiro mandato, com mais de 60% dos integrantes fazendo algum grau de oposição. “Não tem muita novidade nisso. O Lula atravessou um Congresso difícil, tanto que perdeu várias vezes. Ganhou algumas, perdeu outras. O Lula já governou com o Congresso hostil”, avalia.
Ranulfo ressalta que, embora a direita controle o Congresso, essa força não é novidade. Ele acredita que, na Câmara, a diferença será mínima, pois a bancada do PL, apesar de ter crescido, continua sendo minoritária, e o **Centrão permanece a força predominante**, como já ocorreu no governo Lula 3.
Desafios no Senado e na Câmara
A situação no Senado, contudo, apresenta um cenário mais complexo. A bancada do partido de oposição cresceu significativamente, com mais pessoas alinhadas a Bolsonaro. Dependendo do assunto, a **maioria do Senado pode prevalecer**, representando um obstáculo para o governo. A perspectiva de bolsonaristas ganharem o comando da Casa é mais favorável, com o PL precisando de apenas 13 votos de aliados para alcançar a maioria simples.
Nomes como Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) já são ventilados para a presidência do Senado. No entanto, lideranças do Centrão lembram da capacidade de articulação do atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), indicando que a disputa será acirrada.
Na Câmara dos Deputados, o cenário para Lula é mais positivo. O atual presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), construiu um bloco de apoio com sete partidos logo após o primeiro turno, que posteriormente se expandiu, somando 273 deputados. Alcolumbre e Lira foram aliados importantes do petista ao longo do ano, apesar de alguns atritos anteriores, como a rejeição de um indicado de Lula ao STF pelo Senado.

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