Ações da Dasa (DASA3) despencam mais de 10% em meio a aversão a risco e corte de preço-alvo pelo BofA
As ações da Dasa (DASA3) apresentaram um forte recuo nesta quarta-feira (3), operando entre os papéis com pior desempenho na B3. A queda expressiva de 10,06% foi impulsionada pela alta aversão a risco no cenário doméstico, um dia antes do feriado de Corpus Christi. Por volta das 14h10, os papéis eram negociados a R$ 2,77, registrando a quinta maior desvalorização do dia.
Além do contexto macroeconômico desfavorável, a baixa liquidez também marcou o pregão para a Dasa, com cerca de 2,9 mil negociações. Esse movimento fez com que a companhia, que já acumulava perdas no mês, zerasse seus ganhos em junho e passasse a registrar uma desvalorização de 10,32% em apenas três pregões. No acumulado do ano, a perda chega a 39%.
Em um relatório divulgado na mesma quarta-feira, o Bank of America (BofA) anunciou o corte do preço-alvo das ações DASA3 de R$ 6 para R$ 5. Apesar da revisão, o novo preço-alvo ainda representa um potencial de valorização de 65,6% em relação ao fechamento anterior, conforme divulgado pelas fontes.
BofA revisa preço-alvo da Dasa e destaca desafios de alavancagem
A decisão do Bank of America de reduzir o preço-alvo da Dasa (DASA3) está diretamente ligada à incorporação de resultados financeiros mais fracos da companhia às suas estimativas. No entanto, o banco manteve a recomendação de compra para as ações. Segundo o analista Flavio Yoshida, a alavancagem operacional da Dasa permanece elevada, com a dívida líquida sobre o Ebitda em 3 vezes. Isso reflete tanto a disciplina de custos quanto os ganhos de produtividade alcançados.
Yoshida enfatiza que a redução do endividamento da companhia é uma “prioridade fundamental”, especialmente em um cenário de juros altos, com a Selic em 14,50% ao ano. O analista ressalta que, após a reestruturação de 2025, a Dasa está mais focada em diagnósticos, apresentando forte impulso operacional e expansão de margens.
Queima de caixa no 1º tri e potencial de desinvestimento como fatores de atenção
O Bank of America também chamou a atenção para a queima de caixa da Dasa no primeiro trimestre, um contraste com os dois trimestres anteriores de geração positiva de caixa no segundo semestre de 2025. O BofA projeta uma melhora no fluxo de caixa ao longo de 2026, especialmente na segunda metade do ano, impulsionada por melhores recebíveis, despesas de capital estáveis, iniciativas tributárias e gestão de passivos.
Adicionalmente, o banco sugere que possíveis desinvestimentos em ativos não essenciais, como as clínicas HBA e AMO, podem acelerar a redução da alavancagem. Yoshida aponta que a AMO, em particular, “provavelmente atrairá forte interesse dada a situação de seus pares”. O BofA também considera o valuation da Dasa descontado frente aos concorrentes, negociando a um múltiplo de 3,3 vezes EV/Ebitda, inferior ao do Fleury (FLRY3).
Perspectivas otimistas para 2026 com foco na normalização da rentabilidade
Apesar dos desafios de curto prazo, o Bank of America mantém uma visão positiva para a Dasa a médio prazo. O relatório indica que “acreditamos que 2025 marcou o ponto de inflexão e que 2026 deverá apresentar resultados operacionais ainda melhores, sustentando uma normalização gradual da rentabilidade”. Essa perspectiva se baseia na expectativa de melhoria operacional e na gestão de seus ativos e passivos.

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