Dólar encerra abril com forte queda, fechando a R$ 4,95 e acumulando desvalorização de mais de 4% no mês.
O dólar à vista encerrou o mês de abril em forte queda, cotado a R$ 4,9527, registrando um recuo de 0,98% no dia e acumulando uma desvalorização de expressivos 4,36% no período. O movimento acompanhou o desempenho da moeda americana no cenário internacional, onde o índice DXY, que mede seu valor frente a uma cesta de seis moedas fortes, também apresentou perdas.
O mercado brasileiro, que estará fechado nesta sexta-feira (1º) devido ao feriado do Dia do Trabalho, digeriu uma série de fatores que influenciaram o câmbio. Decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, indicadores macroeconômicos relevantes e uma intervenção cambial inédita no Japão foram os principais destaques da semana.
Essa desvalorização expressiva do dólar ante o real em abril marca um alívio para a economia brasileira, que vinha sentindo a pressão da moeda americana. A combinação de fatores internos e externos contribuiu para o cenário de maior estabilidade cambial, com especialistas apontando para a força do real neste final de mês.
Copom mantém ritmo de cortes na Selic, enquanto desemprego surpreende no Brasil
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) deu continuidade ao ciclo de afrouxamento monetário, reduzindo a taxa básica de juros, a Selic, para 14,50% ao ano. A decisão, anunciada na véspera, já vinha precificada pelo mercado.
Em paralelo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a taxa de desemprego nos três meses encerrados em março ficou em 6,1%, em linha com as expectativas. Embora seja a taxa mais elevada desde maio de 2025, economistas como Claudia Moreno, do C6 Bank, avaliam que o mercado de trabalho se mantém aquecido, com estabilidade em níveis historicamente baixos.
Por outro lado, os dados divulgados pelo Banco Central mostraram um aumento na dívida pública bruta e líquida do setor público em março, superando as projeções. A dívida bruta como proporção do PIB atingiu 80,1%, e a líquida, 66,8%, indicando um alerta para as contas públicas.
PIB dos EUA cresce menos que o esperado, mas inflação acelera
Nos Estados Unidos, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu a uma taxa anualizada de 2,0% no primeiro trimestre, um ritmo abaixo do esperado de 2,3% pelos economistas consultados pela Reuters. O crescimento foi impulsionado por investimentos em tecnologia e inteligência artificial, segundo o ING.
Apesar do crescimento mais moderado, os dados de inflação vieram em aceleração. O índice de preços ao consumidor (PCE) subiu 0,7% em março, o maior avanço desde junho de 2022, e acumula alta de 3,5% em 12 meses. Essa métrica é crucial para as decisões do Federal Reserve (Fed) sobre a política monetária.
Japão intervém no câmbio pela primeira vez em quase dois anos para sustentar o iene
Um dos movimentos que mais chamou atenção no mercado internacional foi a intervenção do Japão para sustentar o iene. Foi a primeira ação oficial do Banco Central japonês nesse sentido em quase dois anos, com o objetivo de frear a desvalorização da moeda, que atingiu seu ponto mais fraco desde julho de 2024.
A ação resultou em uma queda de cerca de 3% do dólar frente ao iene em um único dia, com a cotação chegando a 155,5 ienes. Essa intervenção contribuiu para o enfraquecimento geral do dólar no cenário global.
Tensões geopolíticas continuam no radar, mas perdem espaço para dados econômicos
As tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, também estiveram no radar, embora ofuscadas pelas decisões de política monetária e indicadores econômicos. Declarações do Irã sobre possíveis retaliações a ataques americanos e planos dos EUA para a região mantiveram o alerta.
Apesar das incertezas, os preços do petróleo fecharam o dia em leve queda, com o Brent cotado a US$ 110,40 o barril. A dinâmica geopolítica segue como um fator de atenção para os mercados, podendo influenciar o comportamento do dólar e de outras commodities nos próximos dias.

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