BNDES e Governo Federal lançam linha inédita de financiamento para ferrovias com prazo de até 40 anos
O governo federal, em parceria com o BNDES, anunciou uma nova e ambiciosa linha de financiamento focada exclusivamente no setor ferroviário. O objetivo é destravar investimentos vultosos e modernizar a infraestrutura de transporte do país, historicamente concentrada nas rodovias.
A medida, apresentada durante o evento “Novos Caminhos sobre Trilhos” em São Paulo, representa um marco ao estender o prazo de pagamento dos empréstimos para até 40 anos, superando os 30 anos usualmente praticados no mercado de infraestrutura. Essa flexibilidade é crucial para viabilizar projetos de longo prazo.
A expectativa é que essa iniciativa atraia novos investidores, inclusive internacionais, e diversifique a matriz de transportes brasileira. O Ministério dos Transportes estima um potencial de investimento de até R$ 600 bilhões com este novo modelo, conforme divulgado pelo governo federal e BNDES.
Estimativa de R$ 600 bilhões para revitalizar malha ferroviária
A estratégia do governo e do BNDES visa não apenas a construção de novas ferrovias, mas também a revitalização de trechos já existentes. O montante total projetado de R$ 600 bilhões em investimentos é robusto e distribuído em diversas frentes. Cerca de R$ 160 bilhões serão destinados a intervenções em trilhos atuais e novas construções.
Outros R$ 160 bilhões são esperados a partir do leilão de 17 terminais de carga na Ferrovia Norte-Sul. O BNDES terá um papel ativo, atuando no repasse de recursos, na estruturação de debêntures incentivadas e em participações acionárias. A previsão é de R$ 140 bilhões em suporte público direto para garantir as operações privadas.
Prioridade para corredores estratégicos e atração de investimentos internacionais
O novo mecanismo de crédito prioriza oito corredores ferroviários considerados estruturantes em todo o território nacional. Entre os projetos de destaque está a Ferrogrão (EF-170), que conectará Sinop, no Mato Grosso, a Itaituba, no Pará, em um trajeto de 933 quilômetros. O objetivo principal é facilitar o escoamento da produção de grãos do Centro-Oeste até os portos da Região Norte.
Na Região Sudeste, o foco inicial recai sobre a EF-118, o Anel Ferroviário do Sudeste. Esta ferrovia ligará Santa Leopoldina, no Espírito Santo, a São João da Barra, no Rio de Janeiro, em sua primeira etapa de 246 quilômetros. A carteira federal também abrange os corredores Fico-Fiol na Bahia, a Malha Oeste em Mato Grosso (na fronteira com a Bolívia), além dos corredores Minas-Rio, Rio Grande, Mercosul e Paraná-Santa Catarina.
Cronograma de concessões e aproximação com o mercado asiático
O Ministério dos Transportes divulgou um cronograma detalhado para as concessões ferroviárias ao longo do ano. O Corredor Minas-Rio já deu início ao calendário no primeiro semestre. Para o terceiro trimestre, estão previstos os leilões da Malha Oeste e do Corredor Leste-Oeste (Fico-Fiol).
O final de 2026 reserva as concorrências para os corredores da Malha Sul, que englobam o Rio Grande, o Mercosul e a ligação Paraná-Santa Catarina. Paralelamente, o Tribunal de Contas da União (TCU) está analisando os estudos da EF-118 para autorizar a publicação do edital.
A articulação internacional também é um pilar importante, com uma aproximação significativa com o mercado asiático. Em missão oficial na China, o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, destacou que o governo brasileiro estruturou essa carteira de projetos com base em modelos que incorporam matrizes de risco inovadoras.
Um passo relevante foi a assinatura de um memorando de entendimento com o governo chinês para realizar estudos de viabilidade de um corredor bioceânico. O plano é conectar a malha ferroviária brasileira ao Porto de Chancay, no Peru, estabelecendo uma rota direta de exportação rumo ao Oceano Pacífico, o que pode revolucionar o comércio exterior do Brasil.

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