Ibovespa registra a pior sequência de perdas semanais desde 2018, com incertezas globais e domésticas pesando sobre o mercado.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou a semana com uma marca preocupante: a sexta semana consecutiva de perdas. Essa sequência negativa não era vista desde 2018, gerando apreensão entre os investidores.
A desvalorização acumulada na semana foi de 0,61%, com o índice fechando em 176.209,61 pontos. O dólar à vista também sentiu o impacto, terminando a semana em R$ 5,028, com uma queda de 0,78% no acumulado.
Conforme informação divulgada pelo Valor Econômico, o cenário político interno e as incertezas geopolíticas no Oriente Médio foram os principais vilões para a bolsa brasileira. A instabilidade global, com o conflito no Oriente Médio elevando os preços do petróleo e alimentando temores inflacionários, somada às tensões políticas no Brasil, criaram um ambiente de aversão ao risco.
Tensão Política Doméstica e Pesquisas Eleitorais
No Brasil, o foco dos investidores permaneceu nas dinâmicas políticas. A divulgação da primeira pesquisa Datafolha após o vazamento de informações sobre pedidos de financiamento para uma cinebiografia de Jair Bolsonaro revelou um cenário eleitoral em movimento. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua vantagem no primeiro turno sobre o senador para nove pontos percentuais, saindo de 38% para 40%, enquanto o senador recuou de 35% para 31%.
No cenário de segundo turno, a vantagem numérica do presidente Lula sobre o senador também se ampliou, embora ainda dentro da margem de erro. A pesquisa, que entrevistou 2.004 pessoas, mostrou que 64% dos entrevistados tinham conhecimento do caso envolvendo o senador e consideraram sua conduta inadequada.
Governo Anuncia Bloqueio de Verbas Orçamentárias
Em paralelo, o governo anunciou uma significativa ampliação no bloqueio de verbas orçamentárias dos ministérios, saltando de R$ 1,6 bilhão para R$ 23,7 bilhões. Essa medida visa cumprir o limite de despesas do ano, diante da pressão gerada pelo aumento de despesas de execução obrigatória, adicionando mais um fator de incerteza para o mercado.
Incerteza Geopolítica e Juros nos EUA em Foco
No âmbito internacional, as negociações geopolíticas continuaram no radar, especialmente em relação ao Oriente Médio. Apesar de declarações indicando algum progresso em conversas, o Irã apontou a existência de “divergências profundas e extensas” com os Estados Unidos, afastando a perspectiva de um acordo iminente para um cessar-fogo.
A manutenção desse impasse eleva os preços do petróleo, com o barril do Brent próximo a US$ 110, reforçando os temores de impactos inflacionários nas principais economias globais. Isso, por sua vez, aumenta a expectativa de que os juros permaneçam elevados por mais tempo. Nos Estados Unidos, traders já veem chance de elevação de juros pelo Federal Reserve (Fed) em outubro.
Usiminas (USIM5) Lidera Altas com Resultados Positivos
Na ponta positiva do Ibovespa, Usiminas (USIM5) se destacou com uma valorização expressiva de 13,49% na semana. A empresa reportou um lucro líquido de R$ 896 milhões no primeiro trimestre de 2026, um avanço de 166% em comparação com o mesmo período de 2025 e um salto de 596% em relação ao trimestre anterior.
Os resultados positivos da Usiminas foram impulsionados pela melhora do resultado operacional, efeitos cambiais favoráveis e um aumento nos créditos por tributos diferidos. Bancos como Safra e Itaú BBA revisaram suas projeções e destacaram a força da recuperação dos preços do aço e potenciais benefícios fiscais retroativos.
Minerva (BEEF3) Lidera Perdas em Semana Volátil
No lado oposto, Minerva (BEEF3) figurou na ponta negativa do Ibovespa. A empresa sofreu com a redução do preço-alvo de suas ações para R$ 5,50 pelo Itaú BBA, que também rebaixou a recomendação para neutra. O banco citou um ambiente operacional menos favorável, um cenário macroeconômico desafiador, com destaque para o câmbio, e menor visibilidade de gatilhos futuros.
A perspectiva de reversão do ciclo pecuário no Brasil e a maior volatilidade nas despesas com frete e energia, em meio às tensões geopolíticas, também pesaram sobre as ações da Minerva. Adicionalmente, a suspensão das importações de carne bovina e derivados de três frigoríficos brasileiros pela China acendeu um alerta no mercado, mesmo que a Minerva não seja diretamente afetada pela medida.
Outras ações com bom desempenho na semana incluíram Lojas Renner (LREN3), com alta de 11,22%, e Azzas 215 (AZZA3), que avançou 8,77%. No lado das quedas, além da Minerva, outras empresas do setor de commodities também sentiram a pressão do mercado.

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