Mercados reagem com cautela a notícias de tensões entre EUA e Irã e agenda política brasileira, elevando juros futuros.
As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) apresentaram uma alta significativa ao longo da sessão de quinta-feira, refletindo o nervosismo nos mercados globais. Essa movimentação ocorreu em sintonia com o fortalecimento dos rendimentos dos Treasuries, os títulos do Tesouro americano, após notícias apontarem para dificuldades em um acordo entre os Estados Unidos e o Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.
O preço do petróleo Brent, que iniciou o dia em queda, recuperou parte das perdas e voltou a ser negociado acima dos US$ 100 o barril, um indicativo de piora no cenário de risco global. Essa instabilidade impactou diretamente os ativos financeiros brasileiros, como a taxa do DI para janeiro de 2028, que fechou em 13,67%, com alta de 7 pontos-base. Na ponta mais longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcou 13,805%, subindo 10 pontos-base.
A notícia que mais estressou os mercados, segundo operadores de renda fixa ouvidos pela Reuters, foi a informação de que o governo dos EUA estaria buscando retomar o Projeto Freedom. Esta operação visa guiar navios comerciais pelo Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica. Nesse contexto, a Arábia Saudita e o Kuwait suspenderam restrições ao acesso militar dos EUA a bases e ao espaço aéreo em seus territórios.
Tensões no Oriente Médio e o Impacto nos Mercados Globais
A divulgação sobre a retomada do Projeto Freedom gerou um movimento de aversão ao risco, impulsionando as taxas dos DIs. O avanço dos rendimentos dos Treasuries e a recuperação do petróleo Brent corroboraram essa tendência. A taxa do DI para janeiro de 2035, por exemplo, após atingir uma mínima de 13,660% pela manhã, registrou uma máxima de 13,830% à tarde, em um momento de alta nos rendimentos dos títulos americanos de dez anos.
O noticiário sobre o Estreito de Ormuz colocou em dúvida a capacidade de Irã e EUA de chegarem a um acordo, o que havia gerado certo otimismo entre os investidores mais cedo. Fontes e autoridades haviam indicado uma aproximação para um acordo limitado e temporário para paralisar a guerra, com um esboço que interromperia combates, mas deixaria questões mais controversas sem solução.
Agenda Interna e a Influência no Cenário Econômico Brasileiro
No Brasil, além do cenário internacional, os investidores também monitoraram a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, onde se encontrou com o presidente Donald Trump em Washington. Segundo Trump, o encontro foi “muito bom”, e os dois líderes discutiram temas como comércio e tarifas. Essa movimentação diplomática também adicionou um elemento de atenção ao mercado local.
Em meio ao cenário ainda nebuloso no Oriente Médio, o rendimento do Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, subia 4 pontos-base, alcançando 4,392%. Essa dinâmica externa, somada às incertezas políticas e econômicas, contribuiu para a alta nas taxas de juros futuras no Brasil, refletindo a busca por maior rentabilidade em um ambiente de maior risco.

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