Mercado paralelo de canetas emagrecedoras movimenta R$ 12,5 bilhões no Brasil, superando a oferta oficial e gerando preocupação regulatória.
A busca por emagrecimento rápido impulsiona um mercado informal robusto de medicamentos à base de semaglutida, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. Mesmo com a chegada de produtos similares mais acessíveis após a quebra de patentes, o comércio não rastreável de GLP-1 continua em franca expansão no país.
Essa movimentação financeira ocorre principalmente através de farmácias de manipulação e da importação de produtos vindos do Paraguai. A dimensão desse mercado informal ainda é incerta, mas projeções indicam um crescimento expressivo, desafiando a regulamentação e a oferta oficial.
De acordo com análises do Itaú BBA, o mercado de canetas emagrecedoras no Brasil, considerando esses canais não oficiais, já supera as estimativas iniciais. O cenário aponta para um volume de negócios que exige atenção tanto do setor quanto dos órgãos fiscalizadores.
Farmácias de Manipulação: Gigantes do Mercado Informal
O segmento de farmácias de manipulação, por si só, é estimado em cerca de R$ 10 bilhões nos últimos doze meses. Essa modalidade oferece um custo mensal aproximadamente 45% menor em comparação com o medicamento de marca. Com um ticket médio mensal de R$ 800, o potencial desse mercado chega a R$ 10 bilhões apenas para a manipulação.
A projeção para 2026 é que esse segmento informal alcance cerca de R$ 19 bilhões, superando em 1,6 vez as vendas do principal medicamento formal da categoria no Brasil. O Itaú BBA estima que 43% da receita total com a comercialização de GLP-1 no país ocorra justamente no mercado não rastreável.
Importações do Paraguai: Um Fluxo de R$ 2,5 Bilhões
Paralelamente, os produtos importados do Paraguai somaram aproximadamente R$ 2,5 bilhões no mesmo período. A ausência de proteção patentária no Paraguai permite a produção legal de medicamentos como a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. Esses produtos paraguaios, embora proibidos pela Anvisa, representam uma fatia significativa do mercado.
Estimativas do Itaú BBA indicam que cerca de 3,1 milhões de caixas de medicamentos paraguaios chegaram ao Brasil nos últimos 12 meses, correspondendo a 90% da produção total do país vizinho. O banco aponta que esses produtos manipulados e paraguaios representaram 1,7 vez as vendas totais de Mounjaro no Brasil no último ano.
Anvisa em Ação: Tentativas de Frear o Mercado Informal
Em resposta a esse crescimento desordenado, a Anvisa tem implementado medidas regulatórias desde meados de 2025. Três regulamentações já estão em vigor, e uma quarta está em discussão, visando conter a expansão do mercado informal de canetas emagrecedoras.
A RDC 973/2025 exige a retenção de receitas médicas e o rastreamento via SNGPC para toda a classe de GLP-1, equiparando-os a substâncias controladas. Adicionalmente, a Nota Técnica 200/2025 restringiu a manipulação a APIs de fabricantes validados e adquiridos por distribuidores licenciados.
O Despacho 97/2025 proibiu especificamente a manipulação de semaglutida sintética. Uma nova proposta em discussão na Anvisa prevê a aprovação lote a lote pelo INCQS para todas as importações de APIs de GLP-1, buscando maior controle sobre a cadeia produtiva e de distribuição desses medicamentos.

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