Mercado volta a precificar corte nos juros dos EUA em 2026 após trégua no Oriente Médio
A calmaria no Oriente Médio, com acordos de cessar-fogo temporário, reduziu o temor de um choque inflacionário global. Essa mudança no cenário geopolítico está redefinindo as apostas sobre a trajetória das taxas de juros nos Estados Unidos.
O mercado financeiro agora precifica, com maior probabilidade, um corte na taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) já em dezembro deste ano. A expectativa é de um movimento de 25 pontos-base, segundo a ferramenta FedWatch do CME Group.
Essa reviravolta nas expectativas ocorre após um período em que a possibilidade de qualquer corte em 2026 havia sido praticamente zerada. Conforme informações divulgadas pelo CME Group, traders veem 52,6% de chance de o Fed iniciar o afrouxamento monetário na última decisão do ano, em 9 de dezembro. A informação é complementar às análises sobre o mercado de juros nos EUA.
Avanços Diplomáticos e Queda no Petróleo Influenciam Decisões do Fed
A reabertura do Estreito de Ormuz, anunciada pelo Irã, teve um impacto direto na redução dos preços do petróleo no mercado internacional. O ministro das Relações Exteriores iraniano confirmou a liberação total da passagem de embarcações comerciais durante o período de trégua no Líbano, que entrou em vigor recentemente e tem duração prevista de 10 dias.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também declarou que o Irã concordou em não mais fechar o Estreito de Ormuz. Essa passagem estratégica, por onde transita cerca de um quinto do consumo global de petróleo, era um ponto crítico de atenção para o mercado desde o início do conflito.
Adicionalmente, cresce a expectativa por um acordo de paz definitivo entre EUA e Irã. O anúncio de que o Paquistão poderá sediar novas rodadas de negociações diplomáticas, previstas para este fim de semana, reforça o otimismo por uma resolução pacífica.
Expectativas para as Próximas Decisões do Fed e Cenário Brasileiro
Para a próxima reunião do Comitê de Federal do Mercado Aberto (Fomc), a expectativa predominante é de manutenção das taxas de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano. A ferramenta FedWatch indica uma probabilidade de 99,5% de que o Fed mantenha os juros inalterados pela terceira vez consecutiva em 29 de abril.
Mary Daly, presidente do Fed de San Francisco, destacou em entrevista recente que a evolução do conflito no Oriente Médio e sua influência sobre os preços do petróleo podem afetar a confiança do Fed na desaceleração da inflação. Ela ressaltou que, mesmo que o processo se torne mais demorado, não impedirá o progresso da inflação.
No Brasil, o mercado antecipa a continuidade do ciclo de cortes na taxa Selic. O afrouxamento monetário, iniciado em março com uma redução de 25 pontos-base, trouxe a Selic para 14,75% ao ano. As expectativas para a próxima decisão do Copom, em 29 de abril, apontam para 75,50% de chance de um novo corte de 25 pontos-base.
Preocupações com Inflação de Longo Prazo no Brasil
Apesar do cenário externo mais favorável, o Banco Central do Brasil expressa preocupação com a desancoragem das expectativas de inflação para 2027 e 2028. Paulo Picchetti, diretor de Assuntos Internacionais do BC, classificou a expectativa de inflação para 2028 como “muito preocupante”.
O Relatório Focus mais recente indicou elevação na projeção do IPCA para 2027, de 3,85% para 3,91%, e manteve a expectativa de inflação em 3,60% para 2028, ambos acima da meta de 3% estabelecida pelo BC.
Analistas interpretam a trégua no Oriente Médio com cautela, dada a instabilidade histórica recente e a ausência de avanços concretos para um acordo mais amplo. Bancos centrais mantêm uma postura prudente, considerando prematuro incorporar todos os efeitos de longo prazo da guerra sobre a inflação e a atividade econômica, conforme apontado por analistas da Empiricus e ING Research.

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